Casa Firjan, uma mansão centenária no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro, é o mais novo espaço de arte da cidade carioca. Com curadoria de Marcelo Dantas, a casa abriu ao público com a exposição coletiva ‘Transformação’, que marca a programação dos seis primeiros meses da Casa e segue com visitação gratuita até dezembro.

A instalação inédita “aula de pesca para iniciantes”, da artista Adrianna EU, é um dos destaques da mostra. A obra é composta de cinco milhões de metros de fio de linha de costura vermelha, e anzóis prateados, e fala sobre a eliminação do objeto a ser capturado. Nas palavras da própria artista ‘A pesca do próprio mar como uma alusão ao amor pelo ato de amar. O desejo de amar”.

A mostra “Transformação” também traz painéis digitais, objetos, esculturas e atividades interativas, convidando o público a entrar por um túnel e fazer um passeio pela história da indústria no Rio de Janeiro e no Brasil. Ao contemplar o presente e vislumbrar o futuro da indústria e da sociedade como um todo, o visitante é levado a refletir sobre os desafios da nova economia.

Reunindo um casarão histórico, um prédio novo de quatro andares, duas casas geminadas e um jardim — são 10. 000 metros quadrados de terreno e 7.500 de área construída —, a ideia da Casa Firjan é abrigar palestras, workshops, cursos, aulas imersivas e laboratórios, além de atividades culturais, como exposições, apresentações musicais, sessões de cinema ao ar livre e um restaurante.

Para montarem a Casa Firjan, profissionais da Federação das Indústrias visitaram centros de ponta na Europa, como o Waag Society & Fablab, em Amsterdã, e o Space 10, referência em estudos de futuro, em Copenhague.
O espaço de inovação carioca terá uma agenda de reflexão, concentrada no palacete histórico, com debates, palestras e workshops. Entre os encontros já previstos estão um com a neurocientista americana Vivienne Ming e outro com representantes da firma holandesa Circo, especializada em design circular, ou seja, aquele em que a concepção do produto já prevê o descarte, com o mínimo de resíduo.

História
Futuro e passado se encontram no mesmo endereço. Erguido no início do século XX, o palacete da São Clemente, em estilo eclético francês, tem sua construção atribuída aos arquitetos Joseph Gire e Armando da Silva Telles, que assinam também o Palácio Laranjeiras. Com um porte chochère — pórtico destinado a carruagens —, imponentes vitrais e pisos em mosaico de madeira e pastilhas de vidro com folhas de ouro, a sede da Casa Firjan é uma atração à parte. Além dos atributos arquitetônicos que tem, o local é um símbolo do poderio de uma família. Inicialmente de Cândido Gafrée, sócio de Eduardo Palassin, patriarca dos Guinle, ele não chegou a morar no imóvel. Deu-o de presente à afilhada, Celina Guinle, filha do sócio, na época do seu casamento com Linneo de Paula Machado, importante fazendeiro paulista e fundador do Hipódromo da Gávea. Embora muito se fale do estilo perdulário dos Guinle, a família foi grande empreendedora. Entre outros, deteve por 100 anos a concessão do Porto de Santos.

Além de Celina, que teve quatro filhos e ficou viúva nos anos 40, viveu na casa seu irmão Guilherme. “Ele foi de importância crucial no desenvolvimento do país. Foi um dos responsáveis pela construção da CSN e precursor da exploração de petróleo no Brasil”, diz Clóvis Bulcão, autor do livro Os Guinle.

Junto com a restauração da mansão, foi erguido um prédio com tudo o que a modernidade preconiza. Com fachada de vidro, telhado verde, brises de madeira que regulam a incidência do sol e detalhes em amarelo, a cor do conhecimento, o imóvel prevê economia de energia e reaproveitamento de água pluvial.