Ana Paula Oliveira expõe seu trabalho em exposição sobre a floresta Amazônia do MUBE

O Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), em São Paulo, abriu nova exposição dedicada à maior floreste do mundo e reafirma sua missão original de levantar a bandeira da ecologia. É a mostra ‘Amazônia: Os Novos Viajantes’ que apresenta os resultados e desdobramentos de uma viagem científica e de artistas à floresta amazônica, sob coordenação da bióloga Lucia Lohmann, que assina a curadoria ao lado de Cauê Alves. Lohman liderou uma equipe de pesquisa pela floresta e sempre tinha suas expedições acompanhadas por artistas, convidados a criar novos trabalhos a partir dessa experiência.

Uma das artistas em destaque é a Ana Paula Oliveira, que recentemente entrou para o time da Matias Brotas e estava na exposição ‘De Sangue e Ossos’. No MuBE, a artista apresenta uma obra de sua série ‘Vai que vai’, uma instalação de vidro, chumbo e borracha vulcanizada.

Essa exposição, ao unir arte e ciência, abre uma janela para aproximar o público da Amazônia, mostrando sua riqueza, exuberância a importância para a sobrevivência do planeta. Entre os objetos e trabalhos expostos, fica evidente o quanto é necessária a integração entre registros históricos, artísticos e científicos para a compreensão de um ambiente complexo como a Amazônia. A mostra apresenta o trabalho científico ao lado de produções artísticas de diferentes períodos, desde os viajantes do século XIX até produções contemporâneas. Para abranger os temas propostos, a exposição é dividida em três núcleos principais: Núcleo Histórico, Núcleo Científico e Núcleo de Arte.

O Núcleo Histórico traz obras originais dos primeiros viajantes que desbravaram a Amazônia nos séculos passados. Misto de cientistas e artistas, Karl Friedrich Philipp von Martius e Alexander von Humboldt destacam-se na mostra. O Núcleo Científico inclui um filme sobre a expedição realizada pela equipe da bióloga e co-curadora da exposição, Lúcia Lohmann. Achados científicos recentes, assim como o processo de pesquisa, são expostos lado a lado com obras de arte. Também estão expostos equipamentos de pesquisa que poderão ser manipulados pelo público, produzindo uma aproximação com a experiência científica.

Já o Núcleo de Arte apresenta obras de artistas que fizeram parte da expedição científica e produziram seus trabalhos a partir dela, como a portuguesa Gabriela Albergaria e o fotógrafo Léo Ramos Chaves. Artistas que viajaram em outras épocas para a região também estão representados, como Flavio de Carvalho, Luiz Braga e Claudia Andujar, esta com as fotografias realizadas em território Yanomami. A taxonomia de plantas artificiais de Alberto Baraya, os volumes que lembram barcos de Marcone Moreira e os troncos queimados em leito de areia vermelha, como chamas, de Fernando Limberger trazem olhares sobre a floresta. Frans Krajcberg, expoente das questões que envolvem arte e conservação, é um dos destaques e Cildo Meireles está presente com a obra Rio Oir, com os sons das águas que correm. Representando a fronteira entre arte e ciência, as aquarelas de Margaret Mee ressaltam o detalhamento exigido pelo estudo da botânica com cores deslumbrantes e traços do apuro artístico.