Vencedora do prêmio PIPA Online 2010 e indicada novamente em 2014, a artista Ana Paula Oliveira entrou para o time da Matias Brotas arte contemporânea, que passa a representar suas obras no Espírito Santo.

A trajetória da artista é pautada pela criação de instalações que nascem a partir da tensão entre atração e repulsa e entre estabilidade e desequilíbrio. Seu trabalho lida com questões na ocupação do espaço, instalações que cria e estabelece tensões para acionar o espaço. O resultado visual causa uma mescla de estranhamento e interesse, que sempre desperta o olhar e a aproximação.
Nas palavras do crítico Rodrigo Naves, “em muitos dos seus trabalhos, Ana Paula Oliveira realiza um procedimento oposto. A artista costuma usar estacas ou cunhas de madeira para elevar ou sustentar coisas e animais e, desse modo, reforçar sua presença. Podem ser os peixes de “Instável” (2012), a borracha de “Iminente” (2009) ou o estrado de “Diadema” (2003). Pouco importa. A inteligência do trabalho consiste justamente em pô-los numa situação estranha à sua posição natural e com isso torná-los mais visíveis, potentes e perigosos. E o interessante é que, a cada novo trabalho, Ana Paula consegue chegar a significados diversos, ainda que seus procedimentos não mudem radicalmente’, explica ele.

Nuno Ramos também fala que o trabalho de Ana Paula Oliveira não junta. “Isso é o principal. Ele desconjunta, distrai, absorve, rasga, cai. Mas não junta. O galo de Alvorada (2004) não sabe nada do sabão. Os pássaros de Um gato um pintassilgo as estrelas (2007) não sabem nada da borracha. Uma parte não sabe nada da outra. Há uma distopia pairando, não um contraste. O diferente junta, o disparate junta, o que é oposto junta. Mas o trabalho de Ana Paula não junta, e por isso que surpreende tanto”, conta Nuno.
Ana Paula nasceu em Uberaba mas vive em São Paulo, cursou artes plásticas na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Sobre o início de sua carreira, em 1999, Ana Paula integra a cooperativa de artistas Olho Seco, do ateliê Daora Brandão, e participa de suas primeiras exposições coletivas: uma no próprio ateliê; outra no Museu Brasileiro de Escultura – MuBE, sob a orientação de Nazareth Pacheco (1961); e a última, Corpó, no Ateliê Alexandre Menossi, todas em São Paulo.

Em 2001, a artista faz sua primeira individual, na Capela do Morumbi. No mesmo ano, junto com os artistas, cria a galeria independente 10,20×3,60, em São Paulo. No ano seguinte, participa nessa galeria de uma mostra coletiva orientada por Laura Vinci (1962) e recebe o prêmio aquisição do Centro Cultural São Paulo – CCSP, onde faz uma individual e uma coletiva. É em 2003, na 10,20×3,60, por ocasião da instalação Alvorada minha terra, que a artista utiliza pela primeira vez animais vivos.

Em Vitória, a artista chega na Matias Brotas apresentando na exposição do acervo um dos seus recentes trabalhos, uma escultura de vidro e ninho metalizado, que compõe uma série de três trabalhos de Ana Paula. Com o título ‘Ninho para se ter…’, a série traz obras em vidro com corte a laser e ninho de pássaros metalizados encaixados ou pendurados. Dois processos opostos que se completam à geometria do corte e à manufatura do ninho. “Os dois dizem respeito à arquitetura, a linhas “perfeitas” do corte e o emaranhado “perfeito” do ninho. Dois contrários juntos iguais. Um segura o outro”, explica a artista.