Antonio Bokel e Manfredo de Souzanetto estão entre os artistas selecionados que participam da coletiva ‘Pintura do Tipo Brasileira’, que abriu no último dia 21 de novembro, na Casa França Brasil, no centro do Rio de Janeiro, e segue para visitação até janeiro de 2018.

A exposição, que tem curadoria de Renata Gesomino, parte de uma sutil sugestão de contranarrativa que atravessa uma cara metodologia historiográfica chamada formalismo. Inspirada na crítica à ambição modernista de totalidade e na apreensão tipológica ou taxonômica de algumas obras circunscritas no campo pictórico, a exposição exibe trabalhos em superfícies variadas e com elementos estéticos plurais (materiais e imateriais) que vão desde a silenciosa planaridade dos colorfields às narrativas figurativas de cunho político e subversivo.

Nas palavras da curadora, a partir de uma análise crítica da produção pictórica de Raimundo Rodriguez, Osvaldo Carvalho, Manfredo de Souzanetto, Antonio Bokel, Victor Arruda, Edmilson Nunes, Rosana Ricalde, Marcos Cardoso e Felipe Barbosa, e utilizando um aparato historiográfico multidisciplinar e atento às temporalidades fragmentadas, às narrativas e às contranarrativas, “ousamos esboçar tipos possíveis de uma Pintura contemporânea Brasileira que, ultrapassando seu momento modernista antropofágico, parecem reiterar um processo identitário contínuo autofágico”.

Segundo Renata, sobre a obra de Manfredo de Souzanetto, ‘das fraturas expostas de uma temporalidade com contornos modernistas, emergiu a pintura em formato não convencional, entrecortado, anguloso e em tons terrosos de Manfredo. A abstração geométrica enquanto linguagem formal imperativa parecia ter vencido a querela que se anunciava no final do século XIX, e que se tornou plena no alvorecer do século XX. Nesse contexto, a pintura de Manfredo fala a linguagem poética dos materiais que flutuam errantes e solitários sobre o plano e que se agigantam em pequenos espaços físicos’.

Sobre a obra de Antonio Bokel, a simplificação nos traços e gestos de caráter expressionista do artista, anuncia uma action paiting elegante e cadenciada. ‘Nenhum tom branco é acidental, seja da tinta empastada, seja do próprio fundo da tela, testemunhos da gênese das cores e das formas. Nada é um acidente. Toda estruturação espacial é afirmativamente plana. Flatness Greenberguiano. O olhar de Bokel é, sobretudo, contemporâneo e encontra-se refletido nos muros das cidades. Meio figurativo com as suas linhas negras contínuas do spray, meio abstrato no empastamento veloz da tinta ainda úmida. Erotismo que se completa na sugestão das cores primárias, preto e branco. Pintura do entre-lugar figurativo e abstrato”, explica Renata.

Antonio Bokel e Manfredo de Souzanetto | Pintura do Tipo Brasileira | Casa França Brasil | Rio de Janeiro | 21.11.17 a 07.01.18