Dicas de Livros

Para Ler: Dica de livro por André Andrade

A obra Sanctuary: Britain’s Artists and their Studios é indicada pelo artista André Andrade. O livro oferece uma visão privilegiada dos estúdios e inspirações de quase 120 dos maiores artistas da Grã-Bretanha.

O elenco de artistas do Santuário engloba muitas maneiras diferentes de pensar e fazer arte. O livro, de grande formato, transborda fotografias especialmente encomendadas. São retratos, imagens no trabalho, locais de inspiração e entrevistas incisivas. Os artistas abrem suas mentes e também as portas dos estúdios.

É uma obra que  fala dos bastidores da vida profissional dos artistas e seus locais de trabalho. Inclui-se à obra suas mentes, suas metodologias e suas personalidades. A publicação conta com ideias, revelações e pensamentos sobre o mundo da arte moderna e a prática da arte contemporânea. Tal perspectiva proporciona uma noção vívida do que significa ser um artista trabalhando hoje.

O elenco estelar do livro conta com personagens como Frank Auerbach, Ron Arad, Banner Fiona, Peter Blake, Jake e Dinos Chapman, Martin Creed, Tracey Emin, Gilbert e George, Cornelia Parker, Grayson Perry, Paula Rego, Juergen Teller, Gavin Turk, entre outros.

Iwona Blazwick dá um A-Z de estúdios com um toque; O Studio Visitas, de Richard Cork, proporciona um passeio pessoal e vívido pelos estúdios de Francis Bacon, Lucian Freud, Bridget Riley e muito mais.

As anotações de campo de Tom Morton sobre a arte britânica no terceiro milênio são um esboço inteligente do mundo mais “selvagem” que todos os artistas habitam atualmente.

Sobre o autor

Hossein Amirsadeghi é um escritor, editor e documentarista, e a força motriz por trás de muitos livros, incluindo Sanctuary: Britain’s Artists e seus Studios, Art Studio America, Nordic Contemporary e Contemporary Art Mexico.

Dica de livro por André Andrade.

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Para Ler: Dica de livro por Agnaldo Farias

‘Dentro do Nevoeiro’, de Guilherme Wisnik

“Recomendo vivamente o livro ‘Dentro do Nevoeiro’, de Guilherme Wisnik, publicado pela UBU, editora de São Paulo. Guilherme é professor da FAUUSP de Arte e Arquitetura Contemporâneas e este livro, uma versão nada acadêmica da sua tese de doutorado, traz um estudo sobre um ângulo surpreendente da vida e cultura contemporânea. Wisnik escolhe alguns artistas e arquitetos contemporâneos – Olafur Eliasson, Francis Alys, Diller & Scofidio, Frank Ghery, entre outros, e, apontando e analisando seus denominadores comuns e suas particularidades, constrói um quadro que esclarece sobre a sensibilidade contemporânea. Embora formado em Arquitetura, Wisnik também escreve correntemente sobre música, artes plásticas e cinema”, conta Agnaldo.

Para Ler: Dica de livro por Manfredo de Souzanetto

BLEU, de Michel Pastoureau

“Estou lendo o livro ‘BLEU (azul), história de uma cor’ de Michel Pastoureau. O livro acompanha através da história como o azul, de desagradável para gregos e romanos, se tornou a cor preferida dos europeus e de quase todo o mundo. Muito interessante”, conta Manfredo.
Michel Pastoureau é um dos maiores especialistas na simologia das cores. Diretor de estudos na École Pratique des Hautes Études, onde ocupa a cátedra de História da Simbólica Ocidental, recebeu, em 2010, o Prémio Médicis para ensaio, com Les Couleurs de nos souvenirs. Publicou diversos estudos dedicados à história das cores, dos animais e dos símbolos, sendo autor de Bleu – Histoire d’une couleur e L’Étoffe du Diable – Une histoire des rayures et des tissus rayés, entre outros títulos.
O livro percorre mais de dois mil anos de um fenómeno deveras curioso: a forma como culturalmente se institucionalizou a cor azul e como se hierarquizou o seu valor estético e simbólico. O azul passou de uma cor marginal, insignificante – há quem admita até que no mundo greco-romano fora uma cor inexistente – até adquirir, desde século XII à atualidade – um estatuto imponente de gosto e preferência, em praticamente todo o mundo ocidental. Michel Pastoureau, o historiador, consegue, em mais de duzentas páginas, construir uma narrativa fascinante de descoberta (que vem desde o indigo e o pastel dos tintureiros) até à forma como, acima das diversas contingências histórico-sociais, se procurou encontrar uma simbologia existencial. Essa trajetória foi capaz de traduzir toda uma natureza enigmática e mística com que esta cor específica se implementou na construção cultural e social europeia.

Para Ler: Dica de livro por Claudia Melli

Mr. Gwyn, de Alessandro Baricco

Com delicadeza e humor, a obra possui uma narrativa que aos poucos ganha contornos de fábula. Jasper Gwyn, escritor de sucesso, decide abandonar a literatura à procura de uma questão mais essencial, que nem ele sabe ao certo, mas a necessidade de algo mais profundo o impele ao desconhecido. Aos poucos, deixando-se levar pelos sentimentos e auxiliado por companheiros cativantes, ele mergulha, e também leva junto o leitor, numa busca pelo poder transformador da palavra.

O livro de Alessandro Baricco – um dos escritores fundamentais da atual literatura italiana – leva a uma reflexão sobre a criação, o tempo, a amizade, o ver e o deixar-se ver. É também uma jornada ao núcleo fundamental da literatura, e uma amostra de como ela transforma cada um de nós.

Para Ler: Dica de livro por Orlando da Rosa Farya

O Pintassilgo, de Donna Tartt

A história tem por protagonista Theo Decker, um nova-iorquino, que sobrevive aos 13 anos a um ataque terrorista que vitima mortalmente a mãe. Desorientado, numa nova casa, numa escola onde tem colegas que o perseguem, refugia-se num quadro, a obra de Carel Fabritius, “O Pintassilgo”. Este romance é sobre a perda, o instinto de sobrevivência e a história de uma obsessão. O livro é vencedor do prêmio Pulitzer de Literatura. Mais de trinta semanas na lista de mais vendidos do New York Times.

Para Ler: Dica de livro por Celina Portella

“Todos os fogos o fogo” de Julio Cortázar

A coletânea traz oito contos do argentino Julio Cortázar, que no quadro mundial dos contistas modernos, ele é um dos maiores autores do gênero. O livro ‘Todos os fogos o fogo’, reúne oito histórias que são oito obras-primas do conto moderno. Nestas histórias – algumas simétricas, outras paralelas e simultâneas, estas tecidas por associações de ideias, aquelas contraponteando tempo e espaço, umas concêntricas e, assim, em oposição às evocativas, quando então a memória envereda por espiralados volteios – há que destacar, sempre, a força de persuasão do escritor. Persuasão que integra o leitor de tal modo na narrativa que o torna um seu participante, que o faz cúmplice do que lê e do que vive.
O contista argentino conquistou essa destacada posição em virtude do seu fazer literário repleto de inovações e, ainda, por sua extrema acuidade no surpreender os mais recônditos móveis dos atos humanos, as suas esquivas, misteriosas ou secretas causas.
Cortázar é um atento minucioso perquiridor do homem, vale dizer, da vida. A Descoberta do lado oculto das pessoas e dos imprevistos associados em cada situação vital – situação que jaz aparentemente tranquila em circunstâncias várias, umas banais, outras de exceção – constitui mesmo a matéria que trabalha e retrabalha em todas as páginas de seus contos envolventes e fascinantes.

Para Ler: Dica de livro por Nuno Ramos

Cassandra, de Christa Wolf, editado pela Estação Liberdade

“Li recentemente este livro e achei muito interessante, pois quero fazer uma performance que usa a tragédia grega ‘Antígona’, de Sófocles. O livro é um misto de ensaio e novela muito interessante.

Sobre o livro: Prisioneira de Agamenon frente aos portões de Micenas, Cassandra só tem algumas horas de vida antes que os guardas de Clitemnestra cheguem para levá-la. Começa, então, a repassar o que foi sua vida e seu destino. O monólogo criado pela escritora alemã Christa Wolf coloca em cena os conflitos interiores vividos por esta bela dramática personagem, figura mitológica da Guerra de Tróia. Cassandra, filha dos reis troianos Príamo e Hécuba, num discurso poético e exasperante, lembra sua infância no palácio de sua família, a dolorosa separação de seu pai, seu mergulho na loucura quando suas visões contradiziam as verdades palacianas, os sofrimentos durante a interminável guerra que assolava sua gente. Amada por Apolo, tinha o dom da profecia, porém, como não quis se entregar a ele, recebeu o castigo divino de que ninguém acreditaria em suas palavras.

As observações que ela vai tecendo, em diálogos imaginários, fluindo e refluindo no tempo, revelam as facetas da alma humana e do próprio homem acossado pela guerra. Cassandra enfrenta sua própria morte, prevista por ela mesma. Ela enfrenta com lucidez o medo que sente: “Mas quando foi que minha arrogância frente à dor se desfez? No começo da guerra, evidentemente. Desde que vi o medo dos homens: que era o medo diante da luta, senão medo da dor física? Seus truques extravagantes para negar o medo ou fugir da luta, diante da dor”.

Para Ler: Dica de livro por Ana Teixeira

Um relato sobre a leitura do livro “O escolhido foi você”, de Miranda July, Companhia das Letras, 2013

Meu primeiro contato com Miranda July foi ao assistir seu filme “Eu, você e todos nós” (Me and you and everyone we know), de 2005, que estreou no Brasil durante a 29ª Mostra Internacional de Cinema, em outubro daquele ano.

Miranda define-se em seu site (www.mirandajuly.com) como cineasta, artista e escritora. Minha identificação com ela aconteceu antes que eu soubesse disto, mas esta multiplicidade me interessa e quase sempre me vejo envolvida por pessoas que afirmam ter mais de uma profissão.

Eu assisti ao “Futuro”, seu segundo longa, na Mostra Internacional de 2011. O filme trata com ironia e algum desprezo dois jovens adultos contemporâneos e sua incapacidade de amadurecer.

O livro “O escolhido foi você” é o resultado de uma pesquisa feita por Miranda durante a concepção do roteiro deste filme, em meio a uma crise criativa e à espera de financiamento para rodar o longa. Tem um formato que não se encaixa em nenhuma categoria pré-estabelecida. Não é um romance, nem um relato documental apenas. A artista/etc entrevista pessoas que vendem bens pessoais por meio de um jornalzinho distribuído gratuitamente no bairro onde mora. Ursinhos Carinhosos, uma jaqueta de couro, um velho secador de cabelos… Miranda propõe-se a conhecer de perto os vendedores destes itens e as conversas são transcritas no livro em meio a fotos dos personagens em seu cotidiano, e reflexões da autora sobre sua vida, sua produção artística, angústias existenciais e solidão, que, no final das contas, são temas que pertencem e atormentam a todos nós.

Diz ela: “Tudo que eu sempre quis mesmo saber é como as pessoas estão se virando na vida – onde […]

Para Ler: Dica de livro por Renato Bezerra de Mello

Trabajos del estudio, de Eva Hesse.

Entre outros livros e textos que estou lendo e relendo no momento – com enfoque especial em artistas mulheres – recomendo o Ensaio de Briony Fer, publicado por ocasião da exposição Eva Hesse, Trabajos del estudio, que teve lugar na Fundação Antoni Tàpies, Barcelona, em 2010.
Eva Hesse (1936-1970) realizou um número significativo de pequenos trabalhos experimentais junto com as esculturas de grande formato que fez ao largo da sua carreira. Estes objetos, as denominadas “peças de prova”, foram elaboradas com ampla gama de materiais, como o látex, a tela metálica, o metal para esculpir, a fibra de vidro e a gaze, entre outros. Briony Fer argumenta neste ensaio que, em lugar de ser meras investigações técnicas, estes pequenos objetos questionam de maneira radical as noções convencionais em torno do que é uma escultura. Denominando-os trabalhos de estúdio ao invés de “peças de prova” Fer nos oferece uma nova interpretação do lugar que ocupa Hesse como artista no contexto histórico e mostra a relevância de sua obra na arte contemporânea. Descreve a sensualidade visceral das pequenas peças em relação com o que significa para a artista levar a cabo a obra, e a maneira em que os processos de criação se transformam até chegar ao olhar do espectador.

Briony Fer é historiadora e crítica de arte; professora de história da arte na University College London. Escreve sobre diversos tópicos da arte do século XX e contemporânea. Escreveu sobre numerosos artistas, focalizando sua pesquisa em torno da escultora americana Eva Hesse.

Para Ler: Dica de livro por Adrianna EU

“Louise Bourgeois: Destruição do Pai, Reconstrução do Pai” (Cosac Naify, 2001)

“Eu costumava ir a uma livraria perto de minha casa, escolher um ou mais livros, me sentar em uma poltrona, e ficar ali, até que minhas angustias melhorassem. Era o ano de 2005, eu estava estudando arte e produzindo meus primeiros trabalhos. Um dia, senti uma solidão profunda, uma sensação de não pertencer a nada, não saber de nada, não querer mais nada. Eu passei a mão pelos livros expostos na bancada como que pedindo socorro. Parei em um aleatoriamente. Na capa o retrato de uma senhora, que apoiava suas mãos na cabeça e possuía uma expressão enigmática, mas que para mim parecia naquele momento, que se sentia como eu. A senhora da capa era Louise Bourgeois, e por mais que o segurança me olhasse, visto que já estava ali a horas, eu não conseguia parar de lê-la ali mesmo. Louise falava uma língua que era para mim mais íntima que meu próprio idioma. A cada página eu ia me descobrindo, como que aquele livro pudesse saber mais de mim que eu mesma. Quando um encontro dessa ordem se dá, você sente algo alargando dentro de você, como um rio que cobre as margens na cheia da maré.

Esse livro é: “Destruição e reconstrução do pai”. São diários escritos desde os doze anos de idade, entrevistas dadas, e escritos da incrível artista franco-americana (1911-2010). E foi esse livro que me levou a no mesmo ano ir conhece-la. E foi esse livro que levei comigo, e voltou dedicado por ela”.