Textos

Afinal, o que é arte contemporânea?

Decifra-me ou te devoro. É o que parece dizer a arte contemporânea a qualquer pobre mortal que ousa encará-la. Filha do desencanto e das tensões advindos do instável século XX, surge representando uma ruptura com o que, até então, se chamava arte moderna.

Como a esfinge, que aqui lhe serve de metáfora, a arte contemporânea nasceu, sobretudo, questionadora, amante da polêmica. Não lhe interessavam os velhos moldes, o cânone, o sentido tradicional da beleza. No entanto, denunciam alguns, e atualmente tem se rendido a um mercado cada vez mais manipulador e caracterizado por cifras estratosféricas.

Oscilando entre a incompreensão e os julgamentos de valor traduzidos em questões sobre sua utilidade e autenticidade, é alvo de discussões apaixonadas. Assim, a Continuum convidou algumas pessoas a responder ao enigma: O que é arte contemporânea?

Affonso Romano de Sant’anna (poeta, ensaísta e professor)
“A expressão ‘arte contemporânea’ é muito precária, não resiste a uma análise. Não se pode considerá-la sem investigar outra expressão igualmente confusa: ‘pós-modernidade’. Isso, de maneira geral, caracteriza muito do que se fez nos últimos 40 anos. Tem muita bobagem teórica e prática para ser revista. Cito alguns tabus. Veja John Cage – tinha algum talento e perdeu-se no histrionismo. Veja Duchamp, mal lido e mal interpretado há 100 anos. Continuo insistindo: temos que passar o século XX a limpo, não para voltar ao XIX, mas para equacionar os equívocos de nossa geração. Uma das tolices de nossa época foi achar que a ‘modernidade’ era o topo da história. Como se diz, ‘pretensão e água benta cada um toma quanto quer’. ”

Ana Mae Barbosa (doutora em arte-educação e professora)
“Não dá para resumir a arte contemporânea numa só característica, pois a pluralidade domina nosso tempo. Assim, podemos apreendê-la pela […]

O grafite e a arte contemporânea

A arte contemporânea do grafite
Já não se discute se o grafite é arte: ele está presente nas ruas e também nos museus, e ajuda a revitalizar construções abandonadas.
Muros, bancos, postes, bueiros e outras construções e objetos do mobiliário urbano das grandes cidades vivem dias mais coloridos. Com o reconhecimento do grafite como forma de arte, o preconceito da sociedade diminuiu e os grafiteiros hoje recebem incentivos do governo, são descobertos em projetos sociais e até chamados para mostrar sua arte em museus como o Masp e o MuBe e em eventos do porte da Bienal de São Paulo.

O grafite já alcançou o patamar de arte contemporânea no mundo inteiro. O grafiteiro, artista plástico e ativista cultural Rui Amaral afirma que essa manifestação artística urbana está em todos os cantos, em todos os países do mundo.

”O grafite é arte, ele interage lúdica e criticamente com a cidade e com o cidadão”, explica. ”Um painel no meio da cidade pode, de repente, mudar o seu humor, alegrar o seu dia”.

No Brasil, o grafite chegou no final dos anos 1970 e logo ganhou uma cara própria. Hoje o grafite brasileiro é considerado um dos mais criativos e inovadores do mundo.

Para Rui, o conceito do grafite esbarra na reflexão diária, no diálogo de culturas, gerações e na poesia contemporânea, desafiando o concreto e o abstrato. O artista explica que o movimento parte tanto para o ideal de protesto quanto para o de arte pura.

”Existem muitos grafites que são feitos sem autorização do governo e de ninguém. Mas eles estão lá para passar algum recado, para chamar a atenção. São atitudes de melhoria de um espaço, como um terreno baldio ou os muros de uma biblioteca abandonada”, diz.

Por outro […]