ciclo de cursos MBac

A Matias Brotas Arte Contemporânea – MBac, em seus 12 anos de atividade, vem renovando estratégias e modelos de diálogo por meio de ações que visam estabelecer redes entre os circuitos artísticos local e nacional. Essas ações lidam com o vasto universo da arte – do sensorial ao intelectual, do estético ao político – como um todo indizível que adentra e modifica o universo particular de cada um que se propõe a esse mergulho.
Dentre as ações já realizadas, destacam-se exposições de artistas de expressão nacional e internacional, palestras com curadores e críticos de arte, visitas a ateliês, participações em feiras de arte e o lançamento do primeiro clube de colecionismo do Estado do Espírito Santo.

Este ano a MBac coloca em campo um projeto que lhe é muito caro: o Ciclo de cursos de curta duração, que tem a arte contemporânea como tema. Com professores renomados e sob a coordenação pedagógica do artista visual e professor do Departamento de Artes Visuais da UFES Lincoln G. Dias, os cursos de 2018 enfocam a arte contemporânea na sua relação crítica com a arte moderna e com os espaços expositivos.
Com a realização do Ciclo de cursos, a MBac investe na força renovadora da arte contemporânea, na formação de público e na ampliação do calendário artístico local.

Obstáculos e recepção do trabalho contemporâneo

Fernando Cocchiarale

Muitos consideram a arte contemporânea hermética, de difícil apreensão. Não conseguem nela própria encontrar elementos convincentes de seu teor artístico e dizem não entendê-la. Outros – mesmo com conhecimento de causa, mas por conservadorismo, preferência pela arte clássica ou fidelidade teórica (paixão, na verdade) à arte moderna – recusam-na. Até alguns daqueles que, por mérito próprio, reconhecem uma obra contemporânea, não se sentem seguros para avaliá-la, o que evidencia a existência de dificuldades à recepção desse tipo de trabalho – dificuldades estas cultivadas pelo senso comum e pelos artistas, teóricos, críticos e jornalistas de arte que se interpõem entre a produção contemporânea e o grande público.
Afinal, como saber se trabalhos montados a partir de objetos utilitários ou naturais – feitos de materiais perecíveis, como carne bovina; efêmeros, como jornais; ou produzidos por meios tecnológicos, como fotografia, cinema e vídeo – são efetivamente obras de arte? Por que ações realizadas pelo próprio artista, por seu corpo ou protagonizadas por atores pertencem ao campo das artes e não ao da dança ou do teatro? Que razões levam o expectador a considerar artísticas intervenções realizadas nos espaços urbano, natural e institucional? Como saber se de fato são arte (ou não) poéticas centradas nos campos ético-político, em detrimento do estético, ou trabalhos desmaterializados ao limite pela ênfase em conceitos? O que distingue tais produções daquelas da fotografia, do cinema, do vídeo, da arquitetura, do urbanismo, da ecologia, da ética, da política e da filosofia? O que está acontecendo, afinal, com o mundo, as ciências, a cultura e as artes nas cinco últimas décadas?

A oposição à produção contemporânea, ainda que com modulações e matizes diversos, geralmente invoca um argumento comum: a arte contemporânea é um fenômeno totalmente estranho àquele que sempre caracterizou e distinguiu a arte como tal – o sempre aqui significa não só o que, desde cedo, cada um assimilou como valor, mas também, de um ponto de vista mais teórico-estético, que supõe ter a arte uma natureza, traída em nome da aventura experimental e de modismos inventados por artistas, curadores e o mercado atuais (o que, eventualmente, de fato acontece). Tal posição, no entanto, carece de fundamentos históricos.
A arte contemporânea não foi a única nem a primeira a instaurar novas relações entre o produtor, seus meios e fins; a designar nova função social do artista e sua inscrição autoral no circuito cultural e econômico; a redefinir o lugar e o papel do destinatário da produção artística (do fiel, ao público contemplador ou observador, e deste para o participador); e, finalmente, a suscitar a produção de um conjunto de repertórios práticos e teóricos que articularam tais mudanças num sistema. É importante reconhecer que o leque plural denominado arte contemporânea não cumpre mais a função estético-contemplativa consolidada no século XVIII e que sobreviveu, transformada, na modernidade.

Curso 01

Notas de estética na arte contemporânea

Alexandre Emerick Neves
02, 09, 16, 23, 30 de maio | 19h às 21h30

O curso aborda questões essenciais ao pensamento artístico contemporâneo, considerando as problemáticas da figuração, da autonomia da obra de arte e do conceitualismo. Para tanto, discute pontualmente criação, produção, recepção e discussão da obra de arte na contemporaneidade, a partir de conceitos como presença, cumplicidade, distância e excesso.

Bibliografia básica
DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Ed, 34, 1998. FOSTER, Hal. O retorno do real: a vanguarda no final do século XX. São Paulo: Cosacnaify, 2014.
NEVES, Alexandre Emerick. Modernismos e arte contemporânea. Vitória: UFES, Núcleo de Educação Aberta e a Distância, 2011.
NEVES, Alexandre Emerick. Corpo, caminhos e lugares. In: Arte & Ensaios no 16. Revista do programa de Pós-Graduação em Artes/EBA/UFRJ, 2008.

Alexandre Emerick é artista visual e doutor em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participou de exposições no Museu Nacional de Belas Artes e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Atuou como restaurador de obras de arte em instituições como Museu Nacional de Belas Artes, Museu da República e Biblioteca Nacional. É professor de História e Teoria da Arte do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Espírito Santo.

Valor:
3x 230,00
ou 655,50 à vista

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Curso 01
Bolsa de Estudos
Resultado do edital de concessão de bolsa de estudos para curso de curta duração de arte contemporânea

Bolsista contemplada
Camila de Souza Silva

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Curso 02

Arte moderna e arte contemporânea: continuidades e rupturas

Lincoln G. Dias
07, 14, 21 e 28 de agosto | 19h às 21h30

O curso aborda as distinções históricas e conceituais entre arte moderna e arte contemporânea, de modo a elucidar as dúvidas frequentes a respeito desses dois grandes paradigmas da arte recente. Para tanto, discute comparativamente o pensamento e a experiência de alguns dos mais significativos artistas e teóricos da arte recente, nas suas dimensões estética, ética e política.

Bibliografia básica
ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. DANTO, Arthur. Após o fim da arte. São Paulo: Odysseus/Edusp, 2006.
DANTO, Arthur. A transfiguração do lugar comum. São Paulo: Cosacnaify, 2005. FOSTER, Hal. O retorno do real: a vanguarda no final do século XX. São Paulo: Cosacnaify, 2014.

Lincoln G. Dias é artista visual e doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Participou de exposições em instituições como Museu de Arte de Santa Catarina, Museu Nacional de Belas Artes, Itaú Galeria, Galeria de Arte e Pesquisa da UFES e Matias Brotas Arte Contemporânea. É professor de Pintura do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo, onde coordena o Ateliê Práticas e Processos da Pintura.

Valor:
3x 230,00
ou 655,50 à vista

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Curso 02

Bolsa de Estudos
Resultado do edital de concessão de bolsa de estudos para curso de curta duração de arte contemporânea

Bolsista contemplada
Pamela Reis

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Curso 03

Arte, arquitetura e cidade

O curso aborda as tensões entre arte contemporânea, espaço arquitetônico e ambiente urbano. Para tanto, examina experiências artísticas específicas que colocam em questão os fluxos das cidades, os sentidos da arquitetura museológica e as experiências da vida pública e da vida privada.

06/11 – Aula 1: Agnaldo Farias
A extravagância dos museus e centros de arte voltados à arte contemporânea (après Richard Hamilton).

13/11 – Aula 2: Eliana Kuster
Quando a obra se torna maior do que o homem

20/11 – Aula 3: Raquel Garbelotti
Arte contemporânea e espaço urbano

27/11 – Aula 4: Cláudia França
Espaços íntimos → públicos em arte contemporânea

06/11 – Aula 1: Agnaldo Farias
A extravagância dos museus e centros de arte voltados à arte contemporânea (après Richard Hamilton).

As relações entre arte, arquitetura e ambiente urbano. A concorrência entre museu e obras expostas. A importância crescente dos arquitetos na associação entre produção cultural e economia urbana. Os casos do Guggenheim de Nova York, do Guggenheim de Bilbao, do Museu do Século XXI de Canazawa, da Fudação Louis Vuitton, da nova ala do MoMa de Nova York e do Grand Palais de Paris.

Agnaldo Farias é curador, crítico de arte e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo – FAU/USP. Foi Curador Geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, do Instituto Tomie Ohtake e da 29a Bienal de São Paulo. Foi Curador de Exposições Temporárias do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Curador Adjunto da 23a e da 25a Bienais de São Paulo, Curador Internacional da 11a Bienal de Cuenca e do Pavilhão Brasileiro da 54a Bienal de Veneza. É professor do Departamento de História da Arquitetura e Estética da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo – FAU/USP.

13/11 – Aula 2: Eliana Kuster
Quando a obra se torna maior do que o homem.

As cidades nas artes e as artes na cidade: como se influenciam, por onde se atravessam e de que maneira dialogam. A urbanidade como tema das artes a partir do século XIX. As diferentes cidades mostradas nas representações do urbano.

Eliana Kuster é arquiteta e doutora em Planejamento Urbano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Tem por tema de pesquisa as representações culturais sobre a urbanidade. É Professora Titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo – IFES/ES e Professora Convidada da École de Hautes Études en Sciences Sociales – EHESS/Paris.

20/11 – Aula 3: Raquel Garbelotti
Arte contemporânea e espaço urbano.

A categoria escultura atrelada a idéia de monumento. Os desdobramentos de projetos de arte contemporânea que envolvem a escala urbana. Estudos de caso como os do Skulptur Projekte, de Münster.

Raquel Garbelotti é artista visual e doutora em Artes pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP. Participou de exposições, como a 8a Bienal do Mercosul, 7a Bienal do Mercosul, 25a Bienal de São Paulo, Panorama da Arte Brasileira, São Paulo, e 26a Bienal de Pontevedra. É Professora da Pós Graduação em Artes e de linguagens tridimensionais do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES.

27/11 – Aula 4: Cláudia França
Espaços íntimos→públicos em arte contemporânea.

As relações entre arte e cotidiano e as escritas de si. Práticas em territórios híbridos e de fronteira em que o eu-meu mescla-se ao nós-nosso, de modo a tensionar as noções de público e de privado. Manifestações de arte contemporânea em espaços expositivos convencionais e alternativos, examinadas à luz de temas como intimidade, domesticidade e autobiografia.

Cláudia França é artista visual e doutora em Artes pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Trabalha com desenhos, objetos e instalações, expondo regularmente em cidades do eixo sudeste/sul. Tem por tema de pesquisa o Desenho Contemporâneo e os Processos de Criação. Foi Professora do Instituto de Artes e da Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal de Uberlândia – UFU. É Professora Associada de Desenho do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES.

Valor:
3x 260,00
ou 780,00 à vista

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Curso 03

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Equipe

Coordenação geral:
Sandra Matias e Lara Brotas

Coordenação pedagógica:
Lincoln G. Dias

Produção:
Flávia Dalla Bernardina

Assistentes:
Nathália Procópio
Daniela Thompson
Mariana Rodrigues