ciclo de cursos MBac

A Matias Brotas Arte Contemporânea – MBac, em seus 14 anos de atividade, vem renovando estratégias e modelos de diálogo por meio de ações que visam estabelecer redes entre os circuitos artísticos local e nacional. Essas ações lidam com o vasto universo da arte – do sensorial ao intelectual, do estético ao político – como um todo indizível que adentra e modifica o universo particular de cada um que se propõe a esse mergulho.

Dentre as ações já realizadas, destacam-se exposições de artistas de expressão nacional e internacional, palestras com curadores e críticos de arte, visitas a ateliês, participações em feiras de arte e o lançamento do primeiro clube de colecionismo do Estado do Espírito Santo.

 

Este ano a MBac coloca em campo um projeto que lhe é muito caro: o Ciclo de cursos de curta duração, que tem a arte contemporânea como tema. Com professores renomados e sob a coordenação pedagógica do artista visual e professor do Departamento de Artes Visuais da UFES Lincoln G. Dias, os cursos de 2020 enfocam a arte contemporânea na sua relação crítica com a arte moderna e com os espaços expositivos.

Com a realização do Ciclo de cursos, a MBac investe na força renovadora da arte contemporânea, na formação de público e na ampliação do calendário artístico local.

 

Curso 1

O que é arte?

Ministrado pelo professor e artista Lincoln Dias
8, 15, 22 e 29 de abril de 2020

Sobre Lincoln G. Dias: é artista visual e doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Participou de exposições em instituições como Museu de Arte de Santa Catarina, Museu Nacional de Belas Artes, Itaú Galeria, Galeria de Arte e Pesquisa da UFES e Matias Brotas Arte Contemporânea. É professor de Pintura do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo, onde coordena o Ateliê Práticas e Processos da Pintura.

 

 

Curso 2

Viagem de imersão à Usina de Arte e visita ao Ateliê do artista José Rufino, em Recife

4 a 7 de junho 2020

Sobre a Usina de Arte: a área da Usina Santa Terezinha, desativada há décadas após a decadência da monocultura canavieira, agora dá espaço à Usina de Arte, um ambiente que agora mói arte contemporânea conjugada com sustentabilidade botânica. Ela está localizada no município de Água Preta, a 130 km do Recife.

 

Obstáculos e recepção do trabalho contemporâneo

Fernando Cocchiarale

Muitos consideram a arte contemporânea hermética, de difícil apreensão. Não conseguem nela própria encontrar elementos convincentes de seu teor artístico e dizem não entendê-la. Outros – mesmo com conhecimento de causa, mas por conservadorismo, preferência pela arte clássica ou fidelidade teórica (paixão, na verdade) à arte moderna – recusam-na. Até alguns daqueles que, por mérito próprio, reconhecem uma obra contemporânea, não se sentem seguros para avaliá-la, o que evidencia a existência de dificuldades à recepção desse tipo de trabalho – dificuldades estas cultivadas pelo senso comum e pelos artistas, teóricos, críticos e jornalistas de arte que se interpõem entre a produção contemporânea e o grande público.
Afinal, como saber se trabalhos montados a partir de objetos utilitários ou naturais – feitos de materiais perecíveis, como carne bovina; efêmeros, como jornais; ou produzidos por meios tecnológicos, como fotografia, cinema e vídeo – são efetivamente obras de arte? Por que ações realizadas pelo próprio artista, por seu corpo ou protagonizadas por atores pertencem ao campo das artes e não ao da dança ou do teatro? Que razões levam o expectador a considerar artísticas intervenções realizadas nos espaços urbano, natural e institucional? Como saber se de fato são arte (ou não) poéticas centradas nos campos ético-político, em detrimento do estético, ou trabalhos desmaterializados ao limite pela ênfase em conceitos? O que distingue tais produções daquelas da fotografia, do cinema, do vídeo, da arquitetura, do urbanismo, da ecologia, da ética, da política e da filosofia? O que está acontecendo, afinal, com o mundo, as ciências, a cultura e as artes nas cinco últimas décadas?

A oposição à produção contemporânea, ainda que com modulações e matizes diversos, geralmente invoca um argumento comum: a arte contemporânea é um fenômeno totalmente estranho àquele que sempre caracterizou e distinguiu a arte como tal – o sempre aqui significa não só o que, desde cedo, cada um assimilou como valor, mas também, de um ponto de vista mais teórico-estético, que supõe ter a arte uma natureza, traída em nome da aventura experimental e de modismos inventados por artistas, curadores e o mercado atuais (o que, eventualmente, de fato acontece). Tal posição, no entanto, carece de fundamentos históricos.
A arte contemporânea não foi a única nem a primeira a instaurar novas relações entre o produtor, seus meios e fins; a designar nova função social do artista e sua inscrição autoral no circuito cultural e econômico; a redefinir o lugar e o papel do destinatário da produção artística (do fiel, ao público contemplador ou observador, e deste para o participador); e, finalmente, a suscitar a produção de um conjunto de repertórios práticos e teóricos que articularam tais mudanças num sistema. É importante reconhecer que o leque plural denominado arte contemporânea não cumpre mais a função estético-contemplativa consolidada no século XVIII e que sobreviveu, transformada, na modernidade.

Equipe

Coordenação geral:
Sandra Matias e Lara Brotas

Coordenação pedagógica:
Lincoln G. Dias

Produção:
Flávia Dalla Bernardina

Assistentes:
Nathália Procópio
Daniela Thompson
Mariana Rodrigues