ciclo de cursos MBac

A Matias Brotas Arte Contemporânea – MBac, em seus 12 anos de atividade, vem renovando estratégias e modelos de diálogo por meio de ações que visam estabelecer redes entre os circuitos artísticos local e nacional. Essas ações lidam com o vasto universo da arte – do sensorial ao intelectual, do estético ao político – como um todo indizível que adentra e modifica o universo particular de cada um que se propõe a esse mergulho.
Dentre as ações já realizadas, destacam-se exposições de artistas de expressão nacional e internacional, palestras com curadores e críticos de arte, visitas a ateliês, participações em feiras de arte e o lançamento do primeiro clube de colecionismo do Estado do Espírito Santo.

Este ano a MBac coloca em campo um projeto que lhe é muito caro: o Ciclo de cursos de curta duração, que tem a arte contemporânea como tema. Com professores renomados e sob a coordenação pedagógica do artista visual e professor do Departamento de Artes Visuais da UFES Lincoln G. Dias, os cursos de 2018 enfocam a arte contemporânea na sua relação crítica com a arte moderna e com os espaços expositivos.
Com a realização do Ciclo de cursos, a MBac investe na força renovadora da arte contemporânea, na formação de público e na ampliação do calendário artístico local.

Curso 01

O percurso da arte moderna

Maria Izabel Perini Muniz
09, 16, 23 e 30 de abril , 19 às 22 horas | Carga horária: 12 horas

O curso é constituído de duas partes que se complementam: a primeira faz um breve histórico das relações entre arte e sociedade nos períodos que precederam a Arte Moderna; a segunda focaliza os movimentos que deram origem à Arte Moderna no século XIX e as vanguardas modernas nas três primeiras décadas do século XX.

Bibliografia básica
GRAHAM-DIXON, Andrew et all. O guia visual definitivo da arte: da pré-história ao século XXI. São Paulo:Publifolha, 2011
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
CHIPP, H. B.. Teorias da Arte Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
JANSON, H. W. História Geral da Arte. São Paulo: Martins Fontes, v. 3
LYNTON, Norbert. Arte Moderna. São Paulo: Expressão e Cultura
RUHRBERG, Karl et all. Arte no Século XX. Köln: Taschen, 2005

Maria Izabel Perini Muniz é arquiteta urbanista e doutora em Estruturas Ambientais Urbanas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo- FAUUSP. Foi professora de História da arte e da arquitetura na UFES e coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da MULTIVIX. Publicou Cultura e Arquitetura: a casa do imigrante italiano no Espírito Santo; Parque Moscoso: documento de Vida e Arquitetura Rural do século XIX no Espírito Santo. Atualmente é titular do escritório de Arquitetura Perini Muniz e ministra cursos de curta duração para quem quer viajar.

Valor:
R$ 680 em até 3x

Estudantes possuem desconto de 20%
Formas de pagamento: transferência bancária ou cartão de crédito.
Material didático digitalizado.
Certificado de participação e horas

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Curso 01
Bolsa de Estudos

Confira o edital

Curso 02

Arte contemporânea na coleção de Inhotim

Agnaldo Farias
31 de maio a 02 de junho | Carga horária: 12 horas

Visita guiada ao Instituto Inhotim, que abriga o mais importantes acervo de arte contemporânea do Brasil, com mediação do crítico e curador internacional Agnaldo Farias. A partir da experiência direta com as obras do acervo, serão abordadas a diversidade da produção artística contemporânea, as tensões entre obras, espaços expositivos e instituições, as relações entre arte, cidade, paisagem e arquitetura e as obras que não se encaixam nas definições tradicionais.

Bibliografia básica
BRETT, Guy et al. Hélio Oiticica. Rotterdam: Witte de With Center for Contemporary Art, 1992.
BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. São Paulo: Cosacnaify, 1999.
CAMERON, Dan e MOSQUERA, Gerardo. Cildo Meireles. New York: New Museum of Contemporary Art, 1999.
DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
FERREIRA, Glória e COTRIN, Cecília (orgs.). Escritos de Artistas anos 60/70. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
FRIED, Michael. “Arte e objetividade”, in Arte e Ensaios, 9, 2002.
Agnaldo Farias é curador, crítico de arte e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo – FAU/USP. Foi Curador Geral do Museu de Arte Moderna do
Rio de Janeiro, do Instituto Tomie Ohtake e da 29 a Bienal de São Paulo. Foi Curador de Exposições Temporárias do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São
Paulo, Curador Adjunto da 23 a e da 25 a Bienais de São Paulo, Curador Internacional da 11 a Bienal de Cuenca e do Pavilhão Brasileiro da 54 a Bienal de Veneza. É professor do
Departamento de História da Arquitetura e Estética da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo – FAU/USP.São Paulo: Cosacnaify, 2014.

Vagas Esgotadas

Curso 03

Arte contemporânea no Brasil

Ricardo Maurício Gonzaga
08, 15, 22, 29 de outubro – 19 às 22 horas | carga horária: 12 horas

O curso apresenta um panorama geral da produção de arte contemporânea no Brasil. A partir do exame dos mais representativos artistas e obras, estabelece relações com a produção internacional, identifica questões teóricas específicas, analisa as singularidades da experiência artística brasileira e discute a redefinição contemporânea da obra de arte.

Bibliografia básica
BRETT, Guy. Brasil experimental. Rio de Janeiro: Contracapa, 2006.
CANCLINI, Nestor. A Sociedade sem Relato: antropologia e estética da iminência. São Paulo: Edusp, 2012.
FERREIRA, Glória e COTRIM, Cecília (orgs.). Escritos de Artistas anos 60/70. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
LADDAGA, Reinaldo. Estética da emergência. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
TASSINARI, Alberto. O espaço moderno. São Paulo: Cosacnaify, 2001.
ZANINI, Walter. História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Moreira Salles, 1983.

Ricardo Maurício Gonzaga é artista visual e doutor em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Realizou exposições e performances no Brasil e no exterior. É professor do Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e realiza pesquisas sobre os temas imagem, corpo, tempo, performance, arte pública e processos de criação.

Valor:

R$ 680 em até 3x

Estudantes possuem desconto de 20%
Formas de pagamento: transferência bancária ou cartão de crédito.
Material didático digitalizado.
Certificado de participação e horas

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Obstáculos e recepção do trabalho contemporâneo

Fernando Cocchiarale

Muitos consideram a arte contemporânea hermética, de difícil apreensão. Não conseguem nela própria encontrar elementos convincentes de seu teor artístico e dizem não entendê-la. Outros – mesmo com conhecimento de causa, mas por conservadorismo, preferência pela arte clássica ou fidelidade teórica (paixão, na verdade) à arte moderna – recusam-na. Até alguns daqueles que, por mérito próprio, reconhecem uma obra contemporânea, não se sentem seguros para avaliá-la, o que evidencia a existência de dificuldades à recepção desse tipo de trabalho – dificuldades estas cultivadas pelo senso comum e pelos artistas, teóricos, críticos e jornalistas de arte que se interpõem entre a produção contemporânea e o grande público.
Afinal, como saber se trabalhos montados a partir de objetos utilitários ou naturais – feitos de materiais perecíveis, como carne bovina; efêmeros, como jornais; ou produzidos por meios tecnológicos, como fotografia, cinema e vídeo – são efetivamente obras de arte? Por que ações realizadas pelo próprio artista, por seu corpo ou protagonizadas por atores pertencem ao campo das artes e não ao da dança ou do teatro? Que razões levam o expectador a considerar artísticas intervenções realizadas nos espaços urbano, natural e institucional? Como saber se de fato são arte (ou não) poéticas centradas nos campos ético-político, em detrimento do estético, ou trabalhos desmaterializados ao limite pela ênfase em conceitos? O que distingue tais produções daquelas da fotografia, do cinema, do vídeo, da arquitetura, do urbanismo, da ecologia, da ética, da política e da filosofia? O que está acontecendo, afinal, com o mundo, as ciências, a cultura e as artes nas cinco últimas décadas?

A oposição à produção contemporânea, ainda que com modulações e matizes diversos, geralmente invoca um argumento comum: a arte contemporânea é um fenômeno totalmente estranho àquele que sempre caracterizou e distinguiu a arte como tal – o sempre aqui significa não só o que, desde cedo, cada um assimilou como valor, mas também, de um ponto de vista mais teórico-estético, que supõe ter a arte uma natureza, traída em nome da aventura experimental e de modismos inventados por artistas, curadores e o mercado atuais (o que, eventualmente, de fato acontece). Tal posição, no entanto, carece de fundamentos históricos.
A arte contemporânea não foi a única nem a primeira a instaurar novas relações entre o produtor, seus meios e fins; a designar nova função social do artista e sua inscrição autoral no circuito cultural e econômico; a redefinir o lugar e o papel do destinatário da produção artística (do fiel, ao público contemplador ou observador, e deste para o participador); e, finalmente, a suscitar a produção de um conjunto de repertórios práticos e teóricos que articularam tais mudanças num sistema. É importante reconhecer que o leque plural denominado arte contemporânea não cumpre mais a função estético-contemplativa consolidada no século XVIII e que sobreviveu, transformada, na modernidade.

Equipe

Coordenação geral:
Sandra Matias e Lara Brotas

Coordenação pedagógica:
Lincoln G. Dias

Produção:
Flávia Dalla Bernardina

Assistentes:
Nathália Procópio
Daniela Thompson
Mariana Rodrigues