Matias Brotas abre primeira exposição de 2018 ‘ De Sangue e Ossos’

A coletiva, que tem curadoria de Isabel Portella, abre ao público dia 22 de março com uma seleção de 38 obras de 14 artistas contemporâneos.

A exposição que abre o calendário de 2018 da Matias Brotas arte contemporânea traz à Vitória 14 artistas e 38 obras inéditas no Estado. Com curadoria de Isabel Portella, a coletiva “De Sangue e Ossos”, nos remete a pensar o corpo e o espaço no mundo contemporâneo. As obras questionam estruturas, ossos e esqueletos que sustentam e organizam, mas também trazem o corpo vivo, produtivo de sensações e afetos. Se os artistas selecionados emocionam com suas propostas pessoais, suas poéticas, talvez haja um denominador comum que os mantem despertos. Talvez um mesmo sangue corra em suas veias, um fluido de liberdade criadora que impulsiona gerando o prazer.

A exposição contempla uma seleção de diferentes suportes artísticos, de instalações a vídeos, objetos e fotografia. Adrianna Eu, Antonio Bokel, Carla Chaim, Ana Paula Oliveira, Nino Cais, Anna Bella Geiger, Celina Portella, Ana Hortides, Lara Felipe, Ana Teixeira, Vanderlei Lopes, Suzana Queiroga, Zé Carlos Garcia e Renato Bezerra de Mello ocuparão a galeria em um diálogo provocativo em torno da pergunta: Que espaços ocupamos no mundo?

De sangue e ossos
Que espaço ocupamos nesse mundo?

Que poderes tomaram de assalto a vida e penetraram todas as esferas da existência mobilizando-as inteiramente?

Mal sabemos onde está o poder e onde estamos nós. O Poder já não se exerce desde fora, de cima, mas sim como que por dentro ele pilota nossa vitalidade social. Daí a extrema dificuldade em resistir.

O corpo, que ocupa lugar nesse mundo, sofre atualmente um superinvestimento. Hoje, o eu é o corpo e a subjetividade foi reduzida a esse corpo. “Quem está realmente vivo hoje?” pergunta o filósofo esloveno Zizek. Para ele morte e vida designam não fatos objetivos, mas posições subjetivas existenciais.

Mas o que é o corpo? O filósofo francês David Lapoujade define o corpo como “aquele que não aguenta mais”. Não aguenta mais tudo aquilo que o coage, por fora e por dentro; não aguenta mais o adestramento, o silenciamento, a docilização imposta. Em suma, o corpo não aguenta mais a subserviência.

O corpo organizado funciona como uma máquina que trabalha para a produção, e quando ele se torna um organismo, nosso desejo é esmagado e nossos órgãos são capturados dentro de uma lógica capitalista. É assim que os órgãos se tornam nossos inimigos. Segundo Deleuze, criador do conceito do Corpo sem Órgãos, este procura desfazer-se da organização produtiva para tornar-se intensivo. O corpo acorda e percebe que está vivo, não mais um instrumento, mas um conjunto de sensações, preocupado somente em aumentar o prazer de viver, de sentir, de experimentar, produzir, afetar e ser afetado. O Corpo sem Órgãos, apenas sangue e ossos, nasce da capacidade de se abrir para novas sensações, novas disposições.

São muitas as questões que surgem quando refletimos sobre espaço, corpo, tempo e posicionamento. A arte fala desse tipo de resiliência que nasce de uma humanidade muito profunda que nos ensina a não perder a ternura e a poesia mesmo em tempos difíceis.

A Galeria Matias Brotas arte contemporânea apresenta 38 obras de artistas contemporâneos que pensaram o corpo e o espaço. Questionaram estruturas, ossos e esqueletos que sustentam e organizam, mas também trouxeram o corpo vivo, produtivo de sensações e afetos. Se os 14 artistas selecionados emocionam com suas propostas pessoais, suas poéticas, talvez haja um denominador comum que os mantem despertos. Talvez um mesmo sangue corra em suas veias, um fluido de liberdade criadora que impulsiona gerando o prazer.

Confira algumas das obras:

Isabel Sanson Portella – curadora
Exposição coletiva ‘De Sangue e Ossos’ na Matias Brotas arte contemporânea
Abertura – 22 de março
Visitação – de 22 de março a 04 de maio
Local: Matias Brotas arte contemporânea – Avenida Carlos Gomes de Sá, 130, Vitória. (subida da Maternidade Santa Úrsula). Tel: (27)3327-6966.
Horário de funcionamento – Terça a sexta – das 10h às 19h | Sábados: atendimento com agendamento.
Entrada franca