O Clube do Colecionador incentiva os apreciadores de arte contemporânea a adentrar o mundo do colecionismo e ampliar o acervo particular daqueles que já colecionam.

Assim como acontece em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Vitória também possui seu Clube do Colecionador de Arte, que este ano parte para sua 3ª edição. A iniciativa inédita no Estado é da Galeria Matias Brotas Arte Contemporânea.

Segundo as galeristas Sandra Matias e Lara Brotas, a criação do clube de colecionadores tem o objetivo de aproximar o público da arte contemporânea, incentivar amantes das artes a ter obras em variados suportes como pintura, aquarela, desenho, fotografia, escultura em seus acervos e apurar o olhar de pessoas interessadas a começar uma coleção.  “Além disso, o Clube desmitifica aquela ideia de que arte é inacessível. Ao contrário, as facilidades para adquirir uma obra de arte são cada vez maiores e qualquer pessoa pode começar uma coleção”, explica Lara Brotas

Clube do Colecionador
O Clube do Colecionador é lançado anualmente pela Galeria Matias Brotas. A cada edição um grupo de quatro artistas selecionados por um curador convidado, produz obras exclusivas para o clube.

A adesão ao clube confere aos associados, além da oportunidade de adquirir obras por valores e condições atrativos, um rol de benefícios através do cartão fidelidade: palestras com curadores e artistas, descontos nas próximas edições e em estabelecimentos parceiros, convites para vernissages e exposições a fim de aproximar ainda mais o colecionador da arte contemporânea.

A 1ª edição contou com obras inéditas dos artistas Fernando Augusto (aquarelas), Manfredo de Souzanetto (serigrafia), Nenna (objeto/escultura) e Renan Cepeda (fotografia). Já a segunda edição de 2015, que esgotou suas cotas logo após o lançamento,reuniu obras das renomadas artistas Rosana Paste (escultura), Shirley Paes Leme (serigrafia), Renata Egreja (aquarela) e Suzana Queiroga (escultura). Ambas edições tiveram a curadoria da Doutora em Linguagens Visuais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Universidade de Paris I, a capixaba Almerinda Lopes.

Segundo Almerinda Lopes, seja como forma de investimento, que tem superado de longe toda e qualquer forma de aplicação financeira, seja por interesse de reunir sob sua guarda, um conjunto significativo de objetos artísticos destinados à apreciação individual, a formação de uma coleção de obras de arte é sempre uma atividade e uma experiência tão enriquecedora quanto fascinante.

“O colecionismo é, sobretudo, uma atividade de cunho cultural, e em muitos casos conhecidos, alcança também uma dimensão social, no sentido de que uma coleção vai imbricando ao longo do tempo, novos significados de natureza afetiva e patrimonial. Tais valores ultrapassam qualquer estimativa de valorização financeira dos produtos artísticos que o colecionador consegue adquirir em curto ou longo prazo. Diferentemente de um bem de consumo, que por mais caro e requintado que seja, destina-se ao uso e em curto espaço de tempo torna-se obsoleto, fora de moda ou deixa de funcionar, perdendo valor”, explica.

Sobre o Clube
Em cada edição do Clube do Colecionador, a Curadoria do Projeto faz a seleção de artistas, bem como dos suportes que serão trabalhados. O clube é aberto e sem restrições de acesso. Cada uma das edições tem um número limitado de 30 a 40 participantes, procurando, dessa forma, viabilizar o valor das obras e manter a exclusividade.

A próxima edição do Clube será lançada na ArtRio Fair em setembro, possibilitando as aquisições das cotas pelo próprio site. Além de ser uma forma contemporânea de consumir, abrimos a possibilidade dessa experiência para colecionadores de outros Estados que se interessarem pelas obras, afirma Flávia Dalla Bernardina, advogada em propriedade intelectual, produtora e assessora jurídica do Clube.

Edição #02

Rosana Paste
Rosana PasteA artista multimídia e professora da UFES, Rosana Paste, criou, para o clube, a escultura “encontro de corpos” feita de acrílico e alumínio. Referências recorrentes nos trabalhos da artista plástica Rosana Paste são esculturas em escala arquitetônica ou em forma de múltiplos. Na primeira metade da década de 1990, Rosana produz obras em chumbo, como Sétimo Selo e a série Flores de Chumbo. Em alguns desses trabalhos, a artista usa também outros materiais como a parafina e o ferro, conjugando-os ao chumbo fundido ou simplesmente cunhado. Na segunda metade da mesma década, Paste adota outros metais, como ferro, alumínio e inox para a confecção de suas peças. Em relação aos trabalhos anteriores, existe uma continuidade quanto ao tipo de material utilizado, porém a investigação da artista toma outro rumo. O metal assume formas mais controladas: delgadas, escovadas, lisas, convidando o olhar a deslizar com facilidade sobre sua superfície. Estas peças surgem de dentro da parede ou do teto do espaço expositivo, remetendo a um espaço que está além do espaço percebido, sugerindo que seu início encontra-se num outro lugar, talvez inacessível. Tal conjunto de peças parece questionar as margens do espaço, como um desenho que extrapola as bordas do papel ou um ator que inicia sua ação ainda da coxia, antes de entrar em cena.
Em trabalhos do início dos anos 2000, Paste vale-se de esferas de vidro soprado e peles de coelho. Sua última exposição foi “eu museu rosana paste”, no primeiro semestre deste ano, na Galeria Matias Brotas e teve como característica marcante a artista de corpo presente, sendo ela a própria a arte, seu corpo, seus pensamentos, seus sentimentos, sua família.

Shirley Paes Leme
Shirley Paes LemeJá a mineira radicada em São Paulo, Shirley Paes Leme, traz para o clube uma serigrafia sobre papel espelhado chamada “Eu quero fluxo”. Shirley Paes Leme possui uma extensa e consolidada carreira artística, sendo hoje uma das artistas contemporâneas brasileiras mais requisitadas, pois sua obra transita por importantes museus e galerias comerciais brasileiros e estrangeiros.
Doutora em Belas Artes pela John F. Kennedy University, na Califórnia, USA, Shirley possui em seu portfólio artístico inúmeras exposições individuais, como a Mostra “Ambulantes: Estructura-Acción”, na Cidade do México, em 2008; a exposição Desenhos e video na Galerie Jaspers em Munique, Alemanha, em 2003; “Deux Artistes Brasiliens”. Galeria Debret, Paris, França, 1996; entre outras. No Brasil, dentre as diversas exposições destaque para a“Objetos-Instalações”. Pinacoteca da Universidade Federal de Viçosa, MG, 1999; “Água Viva”, Museu Vale, Vitória, Espírito Santo, em 2012;  “Esculturas e Objetos”. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, SP, 1992.
Participou de coletivas em importantes Museus e Bienais como Museu de Arte Contemporânea de São Paulo – MAC/USP; Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – MAC/RS, Porto Alegre; IV Bienal de Barro de América, Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil, 2005; I Bienal Internacional de Arte al Aire Libre, Caracas, Venezuela, 2005; “Nefelibatas”, MAM, São Paulo, SP, 2002; VIII Bienal da Polônia (representante do Brasil), Varsóvia, 1995; Brazilian Contemporary Art Project, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Brasil, 1993; IV Lausanne Biennial. a choice, Netherlands Textilmuseum, Tilburg, Holland, 1992; XV Bienal Internacional de Lausanne. Suíça, 1992.
Shirley também possui suas obras em várias coleções particulares no Brasil, Europa e Estados Unidos: Museu de Arte Moderna de São Paulo; Museu de Arte Contemporânea de São Paulo; Museu Nacional em Aalborg, Dinamarca; Museu Universitário de Arte da Universidade Federal de Uberlândia–MG; Pinacoteca da cidade de São Paulo, São Paulo; Rede Globo de Televisão, Uberlândia, Minas Gerais; Instituto Cultural Itaú, São Paulo; Gilberto Chateaubriand, Rio de Janeiro; Coleção Patricia Cisneiros, Caracas, Venezuela.

Renata Egreja
Renata EgrejaCom uma aquarela intitulada “As pétalas, as flores, o gesto”, Renata Egreja é a mais jovem artista da segunda edição do Clube do Colecionador. Renata vive e trabalha em São Paulo e é formada pela École National Supérieure des Beaux Arts, em Paris. A jovem artista traz em suas pinturas cores que povoaram sua infância, formas naturais, exuberantes, uma luz clara que a faz pensar no sol tropical, “Minha pintura é cheia de energia vital e é isso que eu pretendo dividir com as pessoas. A pintura tem um poder transformador, de fazer a tristeza virar beleza e alegria”, explica.
Apesar de ser jovem, considerada artista da geração 80, Renata já ganhou importantes prêmios como Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea (Ministério das Relações Exteriores, Brasília, 2012); Menção Honrosa no 18º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande (Palácio das Artes, Praia Grande, 2011); Expo Jeunes Talents em  Paris Dauphine, Paris, França(2010) e  38ª Anual de Artes da FAAP na Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo (2007). Já realizou exposição individual e coletiva em espaços como Museu Histórico de Santa Catarina, Florianópolis; Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba; Museu de Arte de Goiânia; Investart, São Paulo; Atelier D. Gauthier, Paris, França; Université Paris-Dauphine, Paris, França.

Suzana Queiroga
Suzana QueirogaE para completar o quarteto de obras/artistas, Suzana Queiroga traz para a 2ª edição do Clube uma escultura em acrílico. Carioca, a artista é Mestre em Linguagens Visuais pela UFRJ, leciona Pintura e Desenho na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Atuante desde os anos 80, trabalha com uma grande diversidade de meios em sua pesquisa, como pintura, escultura, infláveis, vídeos e instalações. Sua obra está relacionada às ideias de fluxo e conexões de sistemas dinâmicos.  Para a 2ª edição do clube, sua escultura está diretamente conectada às suas pesquisas em relação com os fluxos e espaços urbanos que explorou na série “Velofluxo”, iniciada em 2006.  O múltiplo representa uma cidade imaginária vista de cima, como se estivesse sendo percebida em pleno voo.
Suzana já recebeu mais de 10 premiações nacionais entre elas, o 5º Prêmio Marco Antonio Vilaça/Funarte para aquisição de acervos, em 2012, Prêmio Nacional de Arte Contemporânea/Funarte em 2005, a Bolsa RIO ARTE em 1999 e os X e IX Salões Nacional de Artes Plásticas, entre outros. Participou de inúmeras coletivas nacionais e internacionais entre elas, “Entre a fazenda e o arranha céu”, Projeto Casa Real, Vassouras /RJ,  “Bola na Rede” 1 e 2, Funarte/DF; “Nova Escultura Brasileira”, Caixa Cultural, RJ; “Mapas Invisíveis”, Caixa Cultural,RJ,“Innensichten-Aussensichten”- Alpha Nova-Kulturwerkstatt & Galerie Futura, Berlim; “Plasticidades”, Palais de Glace, Buenos Aires; “Como está você, Geração 80?”, CCBB/RJ; “Ares & Pensares” Esculturas Infláveis, Sesc Belenzinho, SP, entre outras.
Participou de inúmeras exposições individuais entre elas, “Prelúdio” Galeria Siniscalco, Nápolis, Itália, “Olhos d’água”, MAC/Niterói, projeto contemplado pelo 5º Prêmio Marco Antônio Vilaça/Funarte, 2013; “Sobre ilhas e nuvens”, Artur Fidalgo galeria, 2013, “Semeadura de Nuvens”, Artur Fidalgo Galeria, em 2013; “O Grande Azul”, Casa França Brasil, em 2012, “Open Studio-Suzana Queiroga”, Akademie der Bildenden Kunst, Viena, Áustria, 2012, “Flutuo por Ti”, Anita Schwartz Galeria, em 2011, “Velofluxo”, Museu da Chácara do Céu, em 2009, “Velofluxo” CCBB/Brasilia, 2008, “Pintura em Campo Ativado”, SESC Teresópolis em 2005; “Velatura”, Instalação Inflável, Galeria 90, em 2005 e “In Between”, Cavalariças do Parque Lage, em 2004, “Tropeços em Paradoxos”, LGC Arte Hoje, 2003, entre outras. Foi artista residente na Akademie der Bildenden Kunste, Viena, Austria, em 2012.