Uma análise sobre obras da artista Rosana Paste desenvolvida nos últimos 20 anos. É o que fala o artigo ‘O corpo no transito entre a presença e ausência em Rosana Paste’, do artista João Wesley de Souza, destaque na Revista GAMA 11 deste ano, publicação semestral da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Portugal.

Veja parte do texto publicado:

O corpo no trânsito entre a presença e ausência em Rosana Paste
Como apresentar toda extensão imaginativa que surgiria como consequência de um olhar sobre três imagens de Rosana Paste? Como apontar uma inclinação poética que emerge de uma leitura destas obras, (Figuras 1, 2 e 3) selecionadas de um escopo de duas décadas de produção de configurações espaciais? No sentido de saciar estes questionamentos iniciais e de permitir a aparição de outros entendimentos que surgirão no decorrer deste esforço monográfico, é que vamos construir à narrativa que se segue. Para tal proposição vamos desenvolver três tópicos que, em tese, na sua totalidade, nos permitiria investigar as consequências imaginativas e conceituais identificadas no jogo entre um corpo presente e sua ausência.

O corpo ausente.
Este primeiro tópico decorre sobre o sentido de ausência do corpo suscitado por uma presença visual. Tal possibilidade interpretativa seria suportada pela evidência desta pulsão imaginativa. A figura um, que fora sujeitada a seleção previamente realizada pelo presente autor, seria o referente visual sobre o qual se apoiaria esta possibilidade de abordagem e de entendimento.

João Wesley de Souza | Revista GAMA 11 | Estudos Artísticos | Faculdade de Belas-Artes | Universidade de Lisboa | Portugal

Figura 1. Sem titulo, ferro torneado e pele de coelho, 160 x 60 x 60 cm, 2002.

O jogo entre o que aqui está, e o que resta do que aqui esteve.
Neste segundo tópico, usando outra imagem, a figura dois, extraída de outro recorte temporal do processo artístico de Rosana Paste, estudaríamos as possibilidades discursivas sobre o corpo, seus moldes e suas presenças materiais com suas exclusivas cargas semânticas.

João Wesley de Souza | Revista GAMA 11 | Estudos Artísticos | Faculdade de Belas-Artes | Universidade de Lisboa | Portugal

Figura 2. Artista de Corpo Presente, 2012. Extraído do livro de Artista Eu Museu.

Para um corpo transcendente.
Neste último tópico conclusivo, referenciado pela imagem da figura três, observaremos a evidência de um conhecimento que surge na experiência entre corpo da artista e a materialidade que interage com ele. Neste caso enfatizamos um sentido universal oriundo desta experiência, uma vez que o reconhecimento de tais fenômenos, neste momento, já transcenderam os limites do círculo privado do sujeito e se encontram agora, em um contexto de entendimento expandido, que se aproxima de conceitos que independem do referido sujeito. Em conclusão observaremos a partir dos vestígios poéticos desta artista, a possibilidade de correspondência entre as formas Apriorística e Empíricas de conhecimento.

João Wesley de Souza | Revista GAMA 11 | Estudos Artísticos | Faculdade de Belas-Artes | Universidade de Lisboa | Portugal

Figura. 3. Rosana Paste, sem titulo, 2017, 21 x 29 cm.