O artista José Bechara abriu sua individual ‘Um Raio Todos os Dias’ na Carlos Carvalho Arte Contemporânea, em Lisboa, Portugal.

A exposição, que segue até 12 de janeiro, reúne trabalhos do artista produzidos a partir de 2017 e 2018 e também inclui alguns inéditos. O conjunto é formado por cerca de 20 pinturas de grande, médio e pequeno formatos, muitas das quais produzidas com recurso ao processo habitual do artista: a intervenção de acrílico e oxidação de emulsões metálicas sobre lona usada de caminhão.

Nesta nova fase de trabalhos, José Bechara alarga o campo de pesquisa sobre o desenho, a pintura, a escultura e a instalação ao construir obras quase imersivas e expansivas que estendem a linha, a superfície, o plano a outras possibilidades, reconfigurando o espaço expositivo da galeria.

A exposição apresenta também uma instalação inédita de grande escala, produzido a partir da ordenação no espaço arquitetónico de vidros planos e uma variedade de objetos em madeira, papel cartão, outros elementos metálicos e eventualmente mármore. O uso desta multiplicidade de materiais propõe uma discussão sobre fronteiras e géneros das linguagens visuais fazendo colidir práticas oriundas das experiências escultórica, pictórica e gráfica. Situar o trabalho entre fronteiras, chamar atenção para uma permanente oscilação entre gêneros constitui matéria fundamental nas investigações de Bechara.

É esta impertinência e transitoriedade do seu trabalho que o artista transpõe para a própria existência:

“Tudo é frágil em meu trabalho que contém esforço e dificuldades para emergir, assim como nós, indivíduos humanos. Embora possam parecer nascer de operações brutais os trabalhos podem quebrar-se, despencar de diferentes alturas, desfazer-se por uma perturbação inesperada do espaço ao redor. Minha geometria hesita. Ora aparece, ora desaparece. Falha, portanto, como falhamos. Esforça-se, como nos esforçamos para existir.”