Um diálogo entre a arte brasileira e a portuguesa. É esse o objetivo da mostra intitulada “Well, It’s Just an Ocean Between”, em cartaz na Jacaranda, em Lisboa, com curadoria de Cláudia Camacho. E um dos artistas convidados para essa coletiva é José Bechara, artista também da Matias Brotas arte contemporânea.

A TAL, plataforma, produtora cultural e galeria de arte contemporânea fundada em 2010, no Rio de Janeiro, decidiu expandir o seu território de atuação e chegou a Portugal este ano. Para essa exposição, decidiu endereçar um convite à Jacaranda – plataforma de arte crossmedia criada para a divulgação da Arte Contemporânea Brasileira no circuito internacional de arte -, propondo um diálogo entre quatro artistas contemporâneos brasileiros consagrados, além de José Bechara, os artistas Carlos Vergara, Raul Mourão e Cabelo) e quatro artistas contemporâneos portugueses da nova geração (João Paulo Serafim, Paulo Arraiano, Sandra Baía e Pedro Batista).

“Well, It’s Just an Ocean Between” é uma exposição que congrega vontades e práticas artísticas de dois países tão próximos mesmo distando entre si 4040 milhas náuticas.

Nas palavras da curadora, a filosofia de Platão foi expressa e transmitida por via do diálogo tendo na sua origem a dialética, ou seja, o “caminho entre as ideias” que é desenhado metodologicamente através de contraposições e contradições de ideias, que nos levam a novas ideias. Sendo assim, entre Brasil e Portugal, o diálogo percorreu, ao longo dos séculos, caminhos sinuosos. “Entre culpas e redenções, a razão histórica irá sempre remeter-nos para os silêncios não dialogados que os comportamentos coloniais imprimiram tanto num passado longínquo, como num presente massacrado pela cicatriz mnemónica. É difícil encontrar outra forma de fazer comunicar as obras destes oitos artistas expostos se não pela via dialógica, encontrando pontos em comum, pontos discordantes, espelhismos, simbioses, analogias, dicotomias”, explica Cláudia.

Cláudia fala do trabalho de Bechara fazendo uma comparação complementar com a obra da portuguesa Sandra Baía, que na mostra se completam. “O percurso de José Bechara (Rio de Janeiro, 1957) tenciona entre os planos bidimensional e tridimensional, transmutando-se de um para o outro de uma forma exímia. Complementam-se, integram-se. E tanto na pintura como na escultura o preenchimento dos espaços ou o esvaziamento dos mesmos são feitos de forma geometricamente existencial. Há em Bechara um equilíbrio acidental que é sustentado pelas peças de Sandra Baía (Lisboa, 1968): interiores que se mostram, exteriores que se querem esconder, formalismos irregulares. As volumetrias de Sandra Baía escondem a fragilidade de quem se espelha e se encontra frente-a-frente com a vulnerabilidade humana. E quando se dá esse encontro a própria matéria se verga sobre si. As esculturas curvam-se, enrugam-se e, algumas vezes, envergonham-se”, explica ela.

Confira o convite:

José Bechara | 'Well, It's Just An Ocean Between' | Jacaranda | Lisboa | 19.05.17 a 28.05.17 | Matias Brotas