A artista Mai-Britt Wolther, dinamarquesa radicada no Brasil, abriu sua primeira exposição de 2019 na Galeria Espace L, em Genebra, na Suíça. A mostra traz um diálogo sobre composição e cor entre ela e o artista suíço Denis Jutzler. Ele faz trabalhos digitais elaborados através de fotos e impressos em papel.

As composições desses artistas, apesar de seus processos técnicos específicos, em última análise, resultam na criação de espaços fictícios. As composições de Mai-Britt são caracterizadas por um forte senso de fluidez entre os campos de cores que operam em dois níveis distintos: por um lado ela seduz o espectador através do uso de cor e uma infinidade de texturas de pintura; por outro, ela obriga o espectador a focar sua atenção em várias áreas menores e elementos dentro de suas composições. Essas narrativas são capturadas a partir de imagens originais de seus arquivos fotográficos.

Denis Jutzeler é um fotógrafo suíço que vive e trabalha em Genebra. “Composições”, sua mais recente série de obras, dá nome à exposição. Os trabalhos de Jutzeler são inspirados pela natureza. Ele sofre suas fotografias em um processo de transformação através de uma série de intervenções digitais. O fotógrafo cria as suas composições, uma nova variedade de plantas e flores, que são o assunto do trabalho dele.

Algumas de suas composições lembram um storyboard construído meticulosamente a partir de imagens compostas e equilibradas da flora indisciplinada. Jutzeler opera entre filme e fotografia; o senso de tempo que emerge de suas digitais é mais parecido para o primeiro que o posterior. Em suas obras, a multiplicidade de camadas às vezes se expande e, em outros, distorcem a imagem. Ele transforma tudo o que ele considera apropriado para alcançar um resultado desejado. O espectador é assim obrigado a entrar em um inconsciente coletivo projetando uma realidade alternativa.