Em comemoração aos seus 25 anos de carreira, a artista dinamarquesa radicada no Brasil, Mai-Britt Wolthers, abre exposição individual comemorativa na Galeria Braz Cubas, em Santos, São Paulo, cidade onde ela vive a mais de 30 anos, onde criou sua família e desenvolveu sua carreira de artista.

Com curadoria de Marcus Lontra, a exposição intitulada ‘Confluências’ traz pinturas da produção mais recente da artista, além de escultura, objetos e vídeo-performance.

Segundo Marcus Lontra, as obras de Mai Britt trabalham na confluência de vetores distintos que se encontram no espaço de materialização da obra de arte; o talento e a inteligência da artista agem na direção de selecionar e sintetizar experiências anteriores permitindo assim que diversas informações geográficas, estéticas, filosóficas e culturais atuem no interior de cada obra, dando-lhes potência e refinamento sensível e intelectual.

“Nascida na Dinamarca, desde cedo convive com a tradição pictórica dos grandes centros europeus. O Brasil trouxe para a artista a riqueza e a exuberância das paisagens e a capacidade de refletir sobre o tempo em ritmos e escalas diferentes. A obra de Mai-Britt provoca o espectador por sua dualidade; ela é exuberante, barroca e intensa, mas é também contida, objetiva e silenciosa. As cores vibrantes definem áreas marcantes circunscritas a elementos formais que atuam num cenário claro e despojado. No limite entre o figurativo e a abstração, a obra estimula o nosso olhar, convidando-nos a descobrir seus encantos e mistérios. Como uma esfinge contemporânea ela provoca: “Decifra-me ou te devoro”. Assim são os enigmas da arte e os desafios da vida. A paisagem é tema constante na trajetória da artista; ora elas falam de uma paisagem natural, externa e tropical ora falam de uma paisagem doméstica, íntima e cotidiana. Por isso os seus elementos formais tanto sugerem imagens naturais oriundas da botânica ora imagens criadas pelo homem em ações artesanais e mesmo industriais. O tempo aproxima essas dicotomias e define o objetivo maior da artista. Nas pinturas, nos objetos e nos vídeos permanece a ideia do “vir-a-ser”; tudo aqui respira, inspira e conspira, vivendo momento a momento e fazendo da obra de arte uma metáfora precisa de nossa existência. Com elegância e paixão Mai-Britt mostra a todos a capacidade da ação artística como ferramenta regeneradora, fazendo da vida uma comunhão de belezas e encantos”, explica Marcus Lontra.