‘Curadoria em Super 8 – Filme autoral, filme de arquivo e found footage’. Este é o nome do workshop que Miro Soares e Gabriel Menotti estão ministrando na Ufes até novembro.

O workshop é voltado tanto para curadores e pesquisadores quanto artistas, cineastas, amadores e estudantes que queiram aprender e/ou aprimorar seus conhecimentos ou simplesmente trocar experiências sobre o processo de curadoria em super 8, em seus vários aspectos incluindo sua relação com a descoberta, a conservação, a catalogação e a difusão de filmes.

Baseado na ideia de “aprender fazendo”, esse workshop visa desenvolver um trabalho colaborativo em que cada participante é convidado a criar uma programação de cinema a partir de um acervo de filmes Super 8 do seu interesse.

O Super 8 é um formato cinematográfico pequeno e econômico introduzido pela Kodak no mercado doméstico nos anos 1960. Entretanto, o seu uso não se restringiu ao público amador: durante décadas, o Super 8 foi amplamente utilizado para produções de documentários e de cinemas independentes e experimentais. Dessa forma, o formato se consolidou como a base de uma produção audiovisual inventiva que desenvolveu seus próprios gêneros, procedimentos e estéticas.

A obsolescência tecnológica torna o engajamento com acervos Super 8 relativamente complicado, uma vez que dificulta o acesso aos meios adequados para a difusão do formato. Operando nesse contexto adverso, a curadoria cinematográfica precisa ir além da seleção de títulos para uma exibição. Por vezes, o curador precisa fazer o trabalho de garimpeiro de película e de técnico de projeção, lançando mão de expedientes que não emprega usualmente. Diante dessa realidade, o workshop busca explorar formas de pesquisa e levantamento de material para exibição e métodos para a manutenção e operação de projetores.

Segundo Miro e Gabriel, o workshop busca também identificar as principais questões que emergem do conjunto de imagens levantadas pelos participantes, bem como os diversos modos de apresentá-las ao público. Cada projeto individual servirá de objeto de estudo e catalizador para os principais desafios neste trabalho.

No dia 24 de novembro, haverá uma sessão de cinema em Super 8 a ser apresentada na UFES, durante a conferência internacional Besides the Screen: Os Métodos e Materiais da Curadoria.

Quem quiser saber mais detalhes do workshop e inscrições, é só acessar o link aqui.

Quem são eles?

Artista visual, filmmaker, pesquisador e viajante, Miro Soares trabalha na interseção dos campos da fotografia, do cinema, do vídeo e de novas mídias. Lidando com ambos os meios analógicos e digitais, seus trabalhos exploram os conceitos de mobilidade e de arte contextual. Soares é mestre em Arte Contemporânea pela Escola Superior de Arte de Grenoble e mestre em Artes e Mídias Digitais pela Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne. É doutor em Artes e Ciências da Arte pela Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne.

Seus trabalhos têm sido exibidos em exposições e festivais de filmes em diferentes países, incluindo: Centre Pompidou e Forum des Images (França), Bergen Kunsthall (Noruega), Amber Art and Technology Festival (Turquia), Fundament Foundation (Países Baixos), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Centro Cultural Oi Futuro, FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica e Museu de Arte do Espírito Santo (Brasil). Miro Soares foi premiado pela Fundação Bienal de São Paulo, teve trabalho comissionado pelo Centre Pompidou e recebeu bolsa de produção da Bergen Kommune. Realizou residências artísticas em sete países: Países Baixos, Finlândia, Alemanha, Noruega, Eslovênia, Lituânia e Letônia.

Gabriel Menotti é professor adjunto do Departamento de Comunicação da UFES. Atua como curador e pesquisador nas mais variadas formas de cinema. Já organizou exibições de cinema pirata, festivais de filmes remix, campeonatos de videogame, oficinas de roteiro pornô, instalações com projetores super8, mostras de arte generativa e simpósios acadêmicos, entre outras coisas. É PhD em Media and Communications pelo Goldsmiths College (Universidade de Londres) e doutor em Comunicação em Semiótica pela PUC-SP. Possui artigos publicados em diversas coletâneas e periódicos acadêmicos. Teve obras e resultados de pesquisa apresentados em importantes eventos internacionais, tais como o International Symposium of Electronic Arts, a Bienal de Arte de São Paulo, os Rencontres Internationales Paris/Berlin/Madrid e o Festival Transmediale. É autor de “Através da Sala Escura” (Intermeios, 2012), uma história da exibição cinematográfica a partir da perspectiva do VJing.