BLEU, de Michel Pastoureau

“Estou lendo o livro ‘BLEU (azul), história de uma cor’ de Michel Pastoureau. O livro acompanha através da história como o azul, de desagradável para gregos e romanos, se tornou a cor preferida dos europeus e de quase todo o mundo. Muito interessante”, conta Manfredo.
Michel Pastoureau é um dos maiores especialistas na simologia das cores. Diretor de estudos na École Pratique des Hautes Études, onde ocupa a cátedra de História da Simbólica Ocidental, recebeu, em 2010, o Prémio Médicis para ensaio, com Les Couleurs de nos souvenirs. Publicou diversos estudos dedicados à história das cores, dos animais e dos símbolos, sendo autor de Bleu – Histoire d’une couleur e L’Étoffe du Diable – Une histoire des rayures et des tissus rayés, entre outros títulos.
O livro percorre mais de dois mil anos de um fenómeno deveras curioso: a forma como culturalmente se institucionalizou a cor azul e como se hierarquizou o seu valor estético e simbólico. O azul passou de uma cor marginal, insignificante – há quem admita até que no mundo greco-romano fora uma cor inexistente – até adquirir, desde século XII à atualidade – um estatuto imponente de gosto e preferência, em praticamente todo o mundo ocidental. Michel Pastoureau, o historiador, consegue, em mais de duzentas páginas, construir uma narrativa fascinante de descoberta (que vem desde o indigo e o pastel dos tintureiros) até à forma como, acima das diversas contingências histórico-sociais, se procurou encontrar uma simbologia existencial. Essa trajetória foi capaz de traduzir toda uma natureza enigmática e mística com que esta cor específica se implementou na construção cultural e social europeia.