“Lygia Clark”, editora Fundació Antoni Tàpies, Barcelona

Sou pesquisadora de “escritos de artistas”. Aquele escrito sem a pretensão de explicar seu trabalho de arte. Aquele texto que mistura, transversaliza a vida e a produção artística.

LYGIA CLARK produzido pela Fundació Antoni Tàpies é tão generoso que traz como prefácio alguns textos de críticos e historiadores, que sugiro que leiam somente depois de ver e ler as mais de 200 páginas de textos e dos trabalhos de Lygia. Seus “escritos” são cartografias onde sua vida e seu trabalho artístico estão juntos e misturados.

Tomei consciência de que na medida em que quase todos os artistas hoje se vomitam a si mesmos num processo de grande extroversão, eu, solitária, engulo cada vez mais num processo de introversão, para depois fazer a ovulação que é miseravelmente dramática, um ovo de cada vez. Depois é o engolir novamente, introverter-se, até quase a loucura para botar um único ovo que nada tem de invenção, mas sim de gorado – loucura? Não sei. Só sei que é minha maneira de me amar-rar ao mundo, ser fecundada e ovular (LYGIA…..,1997, p.249).

Lygia nos relata seu processo criativo com uma fala comum, fazendo analogia ao modo de produção como o ciclo menstrual da mulher. Seu território se potencializa com o outro, seu plano de imanência é perceber como o outro rege seus objetos relacionais e, a partir daí, cria novas proposições artísticas.

Dispara dispositivos com seus objetos, colhe as experiências dos participantes como substratos para novas proposições.