A Matias Brotas arte contemporânea iniciou sua temporada de exposições de 2007 com o “Duo” de exposições de obras inéditas das renomadas artistas Gabriela Machado e Renata Tassinari.

A mostra de Gabriela Machado, que contou com texto assinado por Alberto Tassinari, apresentou o conjunto de suportes que traduz a carreira da artista, lançando mão de diversas cores e apresentando pela primeira vez no Estado pinturas de grandes dimensões, desenhos sobre papel e ainda uma instalação inédita. Foram apresentadas quatro pinturas óleo sobre tela, pertencentes à série “Cascas”, cinco desenhos acrílica sobre papel, da série “Malta” e, no espaço experimental da galeria, a instalação “A Sala dos Fios”, que faz parte das suas construções aéreas. A artista, que já esteve participando da exposição “Pausa” no Museu de Arte do Espírito Santo no ano de 2003, com um trabalho da série “Vermelhos”, inseriu desta vez uma gama cromática variada, em obras que carregaram a variedade de tônus, caminhos e descaminhos que o veículo da pintura oferece com maior facilidade.

A mostra da artista paulista Renata Tassinari, assinada por texto crítico de Taíssa Palhares, apresentou oito obras inéditas em óleo e cera sobre moldura acrílica e madeira. Os diversos materiais utilizados, tais como o mdf e as molduras acrílicas, estiveram presentes nas pinturas, lado a lado com a tinta a óleo, como elementos pictóricos fundamentais. As cores vieram fortes e em contraste, com determinados tons de rosa, verde, vermelho, amarelo e azul, cujas presenças marcantes se deram por aquilo que elas têm de ordinário e característico, unindo-se às tonalidades artificiais da madeira industrializada ou sendo filtradas pela superfície acrílica. Além disso, utilizando também esses materiais como elementos estruturais, as pinturas tangenciaram o espaço arquitetônico. Em trabalhos como “Quadrado amarelo” (2007) e “Quadrado rosa” (2006) a linha formada pela moldura de acrílico branca ao mesmo tempo que conteve, expandiu o espaço, do mesmo modo que o jogo entre opacidade e reflexão da luz na superfície sugeriu um vai-e-vem, no qual os limites físicos das pinturas constantemente foram recolocados. As bordas da moldura de acrílico, ora pintadas por fora, ora na parte exterior, sugeriram uma dialética sutil entre a exterioridade e a interioridade das pinturas. Na série de “Fachadas”, a caixa de acrílico funcionou simultaneamente como um meio de contenção e ampliação, produzindo mediante o deslocamento espacial uma arritmia inesperada. Ao mesmo tempo, a transparência do material propôs uma integração da superfície da parede com o jogo visual desencadeado pelo trabalho, ocasionando um procedimento inédito na produção da artista.

Textos Críticos por Alberto Tassinari e Thaíssa Palhares.