Artistas:
AMILCAR DE CASTRO | CARLOS MUNIZ | JOSÉ BECHARA | JÚLIO TIGRE | LARA FELIPE | LUIZ DOLINO | MANFREDO SOUZANETTO | PAULO VIVACQUA | RAPHAEL BIANCO | RENAN CEPEDA | RENATA EGREJA | ROSA OLIVEIRA | SHIRLEY PAES LEME | SUZANA QUEIROGA | VILAR

Curadoria Fernando Pessoa

A proposta da exposição foi ver as obras não como compartimentos fechados em si mesmos, autônomos e independentes, mas perceber possíveis relações entre elas, algo que permita uma continuidade do olhar, um diálogo visual, onde as imagens se articulam, uma evidenciando elementos da outra, na diversidade de suas propostas. Foi a partir do propósito de compor a exposição como uma obra de arte, através de um diálogo entre as suas imagens, que as obras apresentadas foram selecionadas e organizadas. Nesse sentido, a exposição convida o visitante a olhar cada obra não apenas de maneira isolada, mas buscar ver as semelhanças que as reúnem em suas diferenças. Um convite para ampliar o campo de visão, a fim de perceber, no conjunto das obras, na eloquência de seu diálogo, a identidade originária da própria arte.

Logo na entrada da Galeria, podemos perceber o diálogo da diversidade proposto pela exposição: a fotografia de Renan Cepeda com a pintura de Júlio Tigre e a gravura de Amilcar de Castro: três suportes, estilos, técnicas, propostas, conceitos completamente diferentes, em uma conversa sobre casas, a fim de criar uma atmosfera de lar e saudar os visitantes com boas vindas: Entrem, aqui também moram os deuses.

A fotografia “casa Roxa”, da série “night paintings”, de Renan Cepeda, uma casa noturna, com cores violáceas e luminosas, cercada de silêncio e mistério, colocada ao lado da pintura da série “quimica” de Júlio Tigre, faz aparecer, na abstração da pintura, uma outra casa, também envolta no silêncio misterioso das luzes violáceas, como se estivessem irmanadas numa mesma atmosfera que, simultaneamente lúdica e assombrosa, transpira uma inusitada energia vigorosamente suave. Em composição com essa conjuntura, a gravura de Amilcar de Castro, uma abstração concreta em preto, branco e vermelho, sugere a visão de uma casa, como aquelas dos desenhos de criança, apenas com a sua fachada lateral mostrando a porta e a janela.

Com o tema o diálogo da diversidade, a exposição mostra uma visão do acervo da Galeria Matias Brotas que convida os seus visitantes a olharem as obras não apenas como compartimentos particulares, fechados em si mesmos, mas como elementos visuais que compõem uma grande confraternização da arte, uma festa para os olhos.

Fernando Pessoa