Em uma única mostra, Orlando da Rosa Farya e Maruzza Valdetaro dividiram a Matias Brotas arte contemporânea, entre o salão principal e o espaço experimental da galeria.

No salão principal da imponente arquitetura da galeria, Orlando da Rosa Farya apresentou trabalhos recentes, sinalizando que o universo abordado por estes estabelece confluências entre culturas, pessoas e lugares. O artista, que participou da sua primeira exposição no Salão de Arte Universitário, em 1979, e nele ganhou o prêmio de pintura, ocupou o espaço da galeria com uma individual de fotografia intitulada “You are here”. Para ele, “a pintura é um exercício permanente para a fotografia”. O conjunto de obras apresentado remetia aos muros e paredes grafitados da cidade de Berlim, uma série com 8 imagens de grafites formando um grande painel (160 x 560cm), que recuperava a escala dos grafiteiros, trazendo impressa a forte herança do expressionismo alemão. Fizeram parte também da exposição, 20 pequenos retratos de rosto, sobre os quais o artista lançou vários olhares que tornaram reconhecíveis em suas identidades; fisionomias de croatas, tailandeses, finlandeses, africanos, franceses, portugueses e brasileiros, entre tantos outros, traduzindo a fusão das diferentes tradições culturais que se revela para a Alemanha uma poderosa fonte criativa. A obra que abria a mostra localizava esse encontro entre imagens, signos, intenções, o público e as nuances que compõem o complexo universo visual da cidade de Berlin. Os grafites, as colagens, as interferências variadas, fazendo parte das paredes, dos muros, dos postes e das vitrines, apresentaram uma grande exposição a céu aberto, anunciando que a pintura não se encontra só nas galerias e museus, mas cada vez mais invade a cidade e se incorpora à vida cotidiana não só do berlinense, mas de todos aqueles que transitam pelas ruas e parques da cidade. A série noturna, composta por 4 fotografias de 90 x 120cm, remetia ao sentimento romântico da pintura alemã e até aos “Ciprestes” de Van Gogh, reafirmando a fotografia pictórica do artista.

Enquanto isso, no Espaço Experimental da galeria, Maruzza Valdetaro surpreendeu a todos com o lançamento do “Edifício Ascensão” no Céu, que fez parte de sua série “Aquisições do Impossível”. Esse trabalho fora um desdobramento do “Loteamento do Céu”, instalação apresentada na galeria de arte Espaço Universitário em 2002, onde a artista propôs discutir as relações entre espaço, tempo, realidade e virtualidade através de vendas de impossibilidades. Ao entrar no “Plantão de Vendas” que ocupou o espaço, o espectador pôde adquirir um apartamento do “Ed. Ascensão”. A “planta” de cada “apartamento” fora mostrada através de fotografias com legendas, indicando o nº do “apartamento” que poderia ser adquirido com a escritura legitima da negociação.

Texto Crítico por Neusa Mendes.