Em um inusitado encontro, Paulo Vivacqua e Raphael Bianco dividiram o grande salão da Matias Brotas arte contemporânea. Vivacqua segue com seu já conceituado trabalho, onde trata o som como “matéria” primordial da obra, amplificando a percepção do observador e estendendo, dessa forma, a sensorialidade da visão às vibrações sonoras. A isto, casa-se perfeitamente o trabalho, do também capixaba, Raphael Bianco. Em pintura de grande formato, plasma a “imaterialidade com a luz”, brinca com ela, desfoca-a: lembranças do cinema ou de fotografias.

Na entrada da galeria, dando boas vindas aos visitantes, Raphael Bianco apresenta uma tela, com uma placa de acrílico sobre a pintura, que funciona como um filtro, podendo ser usado para o espectador “focar o que está desfocado”. Continuamos entrando na galeria e encontramos a outra obra de Raphael, que impressiona pelas dimensões: um grande painel composto por quatro telas de 180 x 120 cm, pintadas entre 2005 e 2007, feitas com óxido de ferro e acrílica sobre tela.

Dialogando com este painel, Paulo Vivacqua nos traz as Algas e os Lagos, esculturas feitas com camadas de vidro, espelhos, alto falantes e luz fria. Uma espécie de “escultura musical”, onde a música é parte fundamental da peça, que completa o “arquipélago”, preenchendo todo o ambiente.

Nos cantos do salão Vivacqua situa os Pastores, esguios e baixos, que fazem uma alusão à memória de Pã – deus dos bosques – e emitem um som mais direcionado. Duas outras obras de Vivacqua, ocupam o espaço experimental da galeria: a Cápsula e a Placa, que se diferenciam pelo som metálico e pelo material escuro. Feitas de placa de aço e tubo, emitem um som mais duro em todos os sentidos e jogam com a placidez das Algas e dos Lagos.

por Paulo Sérgio Duarte