Coletiva
JOÃO WESLEY DE SOUZA | JÚLIO TIGRE | MIRO SOARES | MÔNICA NITZ
PAULO VIVACQUA | RAPHAEL BIANCO | RAQUEL GARBELOTTI
REGINA RODRIGUES | RICARDO MAURÍCIO | VILAR

Nomadismo e territorialização reúne trabalhos de alguns artistas que dialogam, cada um a seu modo, com a situação em que se encontra a arte desde os últimos quarenta anos. Esta situação se deve à dissolução da especificidade formal das obras, da crise da própria noção de obra e do vácuo deixado pela falência do projeto ético e político que caracterizou a modernidade. As obras expostas operam a partir desta perda de lugar da arte contemporânea, seja propondo novas territorializações, seja aprofundando os sintomas desta perda.

O atual estado de coisas começou a configurar-se na modernidade, quando a arte afastou-se deliberadamente da tarefa de produzir imagens verossimilhantes do mundo visível para ocupar-se da investigação de seus próprios meios de expressão. A exemplo da filosofia moderna, buscava tornar-se, tanto quanto possível, uma atividade capaz de operar uma crítica de si mesma. Assim, ela deixou de contemplar o mundo como paisagem e passou a olhar para aquilo que julgou ser a sua própria interioridade.

Não demorou muito para que a noção de meio de expressão passasse a ser sentida como uma restrição de ordem meramente normativa e arbitrária. De fato, nada autoriza a consideração da arte como algo que se manifesta necessariamente a partir de certos meios consagrados pela tradição. A produção artística do final dos anos de 1960 e de começo dos anos de 1970 operou, em grande medida, a partir do questionamento da autoridade desses meios, e do conseqüente prestígio que ela confere às noções de pintura e escultura. Propôs, com muita eficácia, uma arte que negava fundamentar-se na sintaxe dos meios, prescindia da condição necessária de objeto, colocou em questão o exercício da contemplação como meio prioritário de recepção e a própria relação, tida como indissolúvel, entre arte e estética.

Para alguns, este teria sido o começo do fim da arte, pois deixando de manifestar-se como proposição de experiências sensíveis ela perde a suposta especificidade que fazia dela uma atividade cultural irredutível, correndo o risco de tornar-se um tipo particular de exercício filosófico.

Atentos a estas questões, os trabalhos em exposição aprofundam o estado nômade da arte ou atualizam novas perspectivas de territorialização. Em alguns, verifica-se o abandono dos ideais de auto-superação e o diálogo com a condição de deriva. Em outros, a proposição de regimes alternativos de produção de imagens ou a dissolução de possíveis especificidades para possibilitar uma reconstituição nos interstícios da investigação científica e de outras praticas culturais.

Dessa forma se apresentam, simultaneamente nos espaços da Matias Brotas arte contemporânea e da Galeria de Arte Espaço Universitário, por de obras que permutam pelos diversos segmentos da arte contempoânea – pintura, escultura, instalação, fotografia, intervenção, apropriações – os artistas João Wesley de Souza, Júlio Tigre, Miro Soares, Monica Nitz, Paulo Vivacqua, Raphael Bianco, Raquel Garbelotti, Regina Rodrigues, Ricardo Maurício e Vilar.

Curadoria e Texto crítico por Lincoln Guimarães Dias.