Miro Soares
Miro SoaresArtista

O jovem Miro Soares vem se afirmando como uma promissora revelação da pintura contemporânea. Sua produção começa a romper as fronteiras locais, ao ser aceita em exposições de outras regiões, dentro e fora do país. Se o artista declara não ter claro se prefere ancorar seu objeto poético no campo da pintura ou no do desenho, isso não parece relevante, se considerarmos que tanto o rompimento das fronteiras entre as categorias artísticas, como a sobreposição de diferentes linguagens integra as asserções da arte contemporânea. Feita a ressalva, preferimos, ainda assim, chamar de pintura as sintaxes do artista, seja por falta de uma nomenclatura mais apropriada para referendá-la, seja pela maneira como ele estrutura a sua praxe.
Miro Soares também assume que transita pela história da pintura, identificando-se, de modo especial, com a Abstração Informal. Mas vale ressaltar que, ao dialogar com uma linguagem pictórica que se tornou importante veículo da cultura e dos anseios de uma época extremamente significativa para a história da humanidade, o artista não quer resgatar, simplesmente, as concepções ou a fatura que pautou a Abstração Informal. Ao lançar sobre essa pintura um olhar contemporâneo e ao estabelecer com ela uma reflexão renovada, submete-a, também, a outros conceitos e questionamentos, ao mesmo tempo em que retira a pintura do passado do esquecimento e a recodifica.
O artista tem consciência que cada fazer artístico específico, ou cada transformação da cultura se estabelece como um jogo de referência recíproca entre o hoje e o ontem, o que vemos e o que já vimos, o que conhecemos e o que imaginamos, entre a percepção e a referência, isto é, entre o que apreendemos diante das coisas e o que podemos formular na ausência delas.
Através da reflexão, da sensibilidade e da experiência, o artista estabelece uma relação única com o mundo, que se diferencia do olhar comum, no sentido de que escapa dos esquemas, do óbvio e do caótico. Vistas por essa ótica, podemos admitir que a intenção e o gesto poético de Miro se tornam singulares, pois diferem de tudo aquilo que produziram os pintores que o precederam.
Almerinda Lopes

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