Reservada para a última exposição da temporada 2019 da Matias Brotas Arte Contemporânea, a mostra coletiva ‘Clube do Colecionador Séries Exclusivas’ estreou no dia 5 de dezembro com trabalhos inéditos e exclusivos de 19 artistas. A montagem reúne esculturas, pinturas, gravuras, instalações, entre outros trabalhos.

Na exposição o público pode apreciar e adquirir importantes trabalhos de Adriana Vignoli, Amália Giacomini, Ana Paula Oliveira, Fernando Augusto, José Rufino, José Spaniol, Lando, Lara Felipe, LincoIn Dias, Mai-Britt Wolthers, Marcelo Solá, Matias Mesquita, Omar Salomão, Renata Egreja, Ricardo Becker, Rosana Paste, Suzana Queiroga, Thainan Castro e Vilar. A entrada é gratuita.

 

Colecionador e curador

A exposição marca o início de um novo formato do Clube do Colecionador, que agrega o predicado ‘Séries Exclusivas’, propondo o colecionador como curador da sua própria coleção. Um colecionador é, por natureza, um acumulador apaixonado e interessado em arte, que com o passar do tempo cria um acervo e se envolve com seus objetos de desejo, criando um repertório pessoal e deixando de ser um simples espectador, para assumir uma postura ativa dentro desse universo.

Segundo a galerista Lara Brotas, as ‘Séries Exclusivas’ propõem o colecionador como curador, na medida em que as escolhas partem da sua autonomia em estabelecer conexões singulares com o mundo da arte contemporânea. “Ao estimular a curadoria da própria coleção, mantemos nosso compromisso de acender no público o universo sensível da natureza humana, tão peculiar no encontro com a arte”, enfatiza.

 

Conheça os artistas e seus respectivos trabalhos expostos

ADRIANA VIGNOLI – Sutura de Concreto | 2019
A obra da série “Sutura de Concreto” apresenta-se pela suspensão com cabo de aço de um cubo de concreto e uma vidraria esférica com terra vermelha típica do centro oeste brasileiro. Suas partes quase se tangenciam, e movimentam-se pendularmente no espaço. Sensações de queda, suspensão, vertigem, sugerem relações com a vida e sua efemeridade no espaço-tempo.

Meu interesse aqui está na criação de objeto a partir da desconstrução e reconstrução de materialidades de potência simbólica. Sutura de Concreto, como outras esculturas até então elaboradas, possui caráter escultórico que busca se aproximar cada vez mais daquilo que sugere vida própria, aqui, expressa no equilíbrio, suspensão, tensão, ruptura e transmutação material.

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AMÁLIA GIACOMINI – Aqui e Ali Planos em Fuga | 2019

“Aqui” e “Ali” são múltiplos da série Planos em fuga. São peças que sugerem a imagem de passagens, aberturas ou janelas perspectivadas. Brincam com nosso ponto de vista, com o enquadramento e deslocamento do olhar e com as noções de frente-verso e dentro-fora. Com um mínimo de elementos criam uma tensão entre a imagem que percebemos o objeto que nasce e se altera conforme nos deslocamos.

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ANA PAULA OLIVEIRA – Vistaña | 2016

Vistaña é uma série exclusiva para o Clube do Colecionador. São 3 trabalhos em vidro com corte a laser que sugerem desenho de sólidos geométricos onde um pássaro de latão é encaixado no vidro dentro do movimento do corte.

São trabalhos que lidam com a leveza e organicidade do vôo de um pássaro mesmo estando num caminho geométrico pré-definido racional do corte industrial do vidro. É neste embate orgânico e geométrico da razão e da intuição que Vistaña surge através do vidro e dos pássaros que o permeiam trazendo força e leveza ao mesmo tempo.

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FERNANDO AUGUSTO – Templos | 2018-2019

Os desdobramentos da série “A Casa do passado” deram origem a esta nova série denominada “Templos”. São trabalhos pequenos grandes, alguns em aquarela, outros em pintura que tratam a arquitetura da casa (moradia) como templo, lugar de meditação, de reflexão e reorientação. Todas as obras trabalham com sombras, formas sem contornos definidos que lembram tanto uma construção externa (casa), quanto o corpo que pensa e sente a casa (templo).

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JOSÉ RUFINO – Ludum | 2019

Ludum é um jogo de artista, pois se oferece à participação de quem olha, como um tipo poético do teste psicanalítico do suíço Hermann Rorschach. A simetria de cada mancha, em contraste com os suportes carregados de memórias, estimula leituras totalmente pessoais. O passado dos outros e a imaginação de quem joga no tabuleiro de Rufino se contrapõem. Cada participante abre suas próprias janelas de interpretação, libertando o vasto campo de seu inconsciente.

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JOSÉ SPANIOL – Firmamento | 2016

Os trabalhos se articulam pela tensão entre as escoras e os objetos sustentados na parede, criando um equilíbrio semelhante a uma balança, onde peso e contrapeso se estabilizam. A linha diagonal formada pelas escoras e a parede projeta o volume dos objetos para fora do plano, estabelecendo uma relação de continuidade entre a parede e o chão.

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LANDO – Desvio pela Sombra | 2019

Desvio pela Sombra refere-se à série de auto-retratos digitais feitos com câmera fotográfica de telemóvel. As imagens são estruturadas segundo a relação entre arte e deslocamento e configuram um exercício de alteridade pelo desvio que a sombra promove ao diluir a ideia de identidade pessoal através do indiscernimento intrínseco à natureza “misteriosa”, evanescente da sombra que potencializa a noção de fluidez, transformação, que contraria uma noção tradicional de sujeito como estabilidade, mesmidade e universalidade.

Ao se colocar diante de cada fotografia, cada um dos espectadores assume, naquele instante, o lugar do fotógrafo; de algum modo, cada indivíduo pode ver repercutir em cada uma das imagens de sombras, a sua própria sombra virtualmente projetada. Desse modo a imagem faz expandir o campo virtual da representação para o espaço vital da realidade.

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LARA FELIPE – Ancient Soul Série Nine Circles | 2019

Inspirada na primeira parte da Divina Comédia de Dante Alighieri, O Inferno, a série “Nine Circles” de Lara Felipe traz alguns dos personagens desta obra poética, como Beatrice, Francesca da Rimini, Rei Minos e outros, e algumas ilustrações de Gustave Doré. “Ó, vós que entrais, abandonai toda a esperança.”, escrito no portal do Inferno de Dante, serviu de inspiração para esta série de livros-objetos que ilustra a mente humana habitada por demônios e conflitos existenciais. Lara trabalha questões sobre vida e morte, tempo e destruição, memória e esquecimento, construindo complexos diálogos entre a leveza da matéria efêmera e o peso do sentido emocional de suas obras através de um olhar estético contemporâneo. Lara incorpora em suas obras, motivos pessoais e simbólicos provocando uma reação emocional e psicológica do espectador.

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LINCOLN DIAS – ContraRothkos | 2016-2019

Contra Rothkos dá continuidade ao trabalho do autor de redução da pintura a graus muito primários, na tentativa de salvá-la da intoxicação de uma história excessivamente longa e da ausência de horizontes viáveis. Em geral, depois da redução, o autor tenta fazer com que ela volte a crescer por meio da exploração exaustiva de possibilidades mínimas. Aqui, a ênfase está em prolongar a secagem da tinta até a exasperação.

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MAI-BRITT WOLTHERS – Possíveis pertencentes 2019

A artista já vem explorando a pintura expandida desde 2014, quando começou a fazer esculturas que criam um forte diálogo com as pinturas, assim como os vídeos em que manuseia cor e forma em instalações.

Os objetos desenvolvidos para esta série exclusiva de dípticos se fazem pertencer a pintura pela cor e/ou a forma que possuem. Curiosamente, alguns objetos que a artista havia pensado para fazer díptico com certas pinturas acabaram compondo melhor com outras pinturas, e assim criaram-se possibilidades de dípticos distintas a cada momento.

Em relação as pinturas, a artista procurou fazer com que a composição de cada pintura se sustentasse sem o objeto, porém o objeto produzido para cada pintura cria uma situação pictórica, contribuindo para uma composição que se expande para fora da tela. Por menor que seja, o objeto faz o díptico exigir um espaço relativamente bem maior na parede expositiva.

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MARCELO SOLÁ – S/ Título | 2019

Preenchendo os espaços no preto. Há formas arquitetônicas, algumas nítidas outras embaralhadas, que se despacham para o fundo, abrindo perspectivas no plano escuro; há silhuetas e rabiscos, contornos retráteis que se encolhem ou se exaltam em reverberações semelhantes às que encontramos à tona dos lagos; há palavras, letras e números, sentenças variáveis, datas e lugares, que nos levam a espaços mentais e temporais, fazendo-nos deslizar em outros sentidos, como é típico da linguagem escrita; há, por fim, o plano chapado das cores, a expansividade do vermelho e do amarelo, a iridescência do dourado, o retraimento do azul e do violeta, invadindo o espaço que separa nosso olhar da folha de papel ou puxando-nos para o seu interior. Tudo sempre muito agressivo, sempre sórdido, mas também sempre amoroso. (Agnaldo Farias)

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MATIAS MESQUITA – S/ Título | 2019

Na fusão de linguagens e apuro técnico-material, a obra revela-se no que pode ser chamado de escultura pictórica. Tendo os materiais de construção, estruturais e arquitetônicos, como suporte para a pintura, a matéria-prima opera como indício de nossa realidade urbana, destrinchando suas condições sociais e industriais massificadas. É nos contrastes entre as delicadas pinceladas e a brutalidade dos suportes que se revela a poética essencial da obra do artista. No trabalho meticuloso, insistente e extenuante, o artista debruça-se na pintura com a necessidade de conservar aquilo que é de mais fugidio e efêmero, não à toa o retrato é de nuvens. Este esforço é configurado na ilusão criada pelos artifícios destinados à sensação de permanência e impermanência, que extravasam tanto naquilo que é retratado quanto no seu suporte.

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OMAR SALOMÃO – S/ Título | 2019

É um cruzamento. Quatro fotos e uma gota escorrem pelo vidro que filtra e separa da paisagem. A gota em seu trajeto lento e delicado, cruza a vista e marca o caminho (o que passou e o que não percebemos). Seus caminhos são bifurcações entre imagem e escrita, vento e vidro, tempo e o que se sente.

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RENATA EGREJA – O amor é a verdadeira fortuna | 2019

Essa série compõe três trípticos. Em cada obra é apresentada diversas intenções de pintura. Essas ações acontecem em três tempos, em uma das telas o que existe são as gotas ou lágrimas, são elas que dão o tom e prevalecem na composição. Em outra tela é o gesto frenético e apaixonado do pincel cor de rosa que prevalece na pintura. O que unifica e está presente em todas as pinturas é a grade. Elemento muito presente no trabalho da artista, a grade simboliza o que é delimitado, protegido e ao mesmo tempo separado. É como se sua presença nos lembrasse que existe o mundo da representação e o da realidade. A maior pintura do tríptico carrega o nome da série escrita como um laço de fita que embrulha um bouquet. Essa série é uma ode as histórias de amor, as ilusões e as paixões de nossas vidas.

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RICARDO BECKER – Espelho Seu | 2019

Nos trabalhos dos espelhos, o visitante não escapa da própria imagem, participa como reflexo.  Colocar diante do espelho o vidro é como querer refletir o transparente – um paradoxo.  Um terceiro elemento nega ainda mais uma vez a imagem: o talco. O espelho reflete o talco no vidro – além de transparente o vidro é também refletor – que reflete o talco no vidro refletido no espelho que reflete o talco no vidro refletido e assim sucessivamente.  O vazio entre as duas superfícies é preenchido por uma névoa imagética. Esses trabalhos indagam através da percepção a questão da identidade e do ser.

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ROSANA PASTE – Entre Camadas | 2019

Pensar o aqui e agora como camadas que se sobrepõem e cruzam de um presente sendo vivido e um passado rememorado.

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SUZANA QUEIROGA – Desvio | 2019

A série Desvio consiste num conjunto de obras recentes, de 2019, da artista carioca Suzana Queiroga. Nesta nova série branca que desenvolveu exclusivamente para a Matias Brotas, Suzana desenvolve pequenas incisões na superfície de telas que se comportam como fluxos e sistemas e se aproximam da grafia das cidades, de sólidos geométricos e de formas orgânicas. Os variados cortes na superfície criam pequenas aberturas ou janelas que trazem relevos delicados aos suportes através da luz e da sombra neles projetadas.

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THAINAN CASTRO – Pipa | 2019

As gravuras são desdobramentos da série “Memória vale Ouro”, são pequenos instantes reacesos em meio a palavras de poesias que eram de acervo da avó do artista e contadas para ele quando pequeno. As histórias e lembranças perdidas em meio às palavras quase apagadas têm como fio condutor a folha de ouro, que pontua e eterniza aquele momento no papel.

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VILAR – S/Título | 2019

Em linhas que foram pensadas a partir de notas musicais, as obras tratam de uma poética que revela um vazio dinâmico, potencializado pelo seu reflexo.

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Exposição coletiva “Clube do Colecionador Séries Exclusivas”

Data: até 21 de fevereiro de 2020

Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, das 10 às 19h, e aos sábados com agendamento

Local: Galeria Matias Brotas, localizada na Av. Carlos Gomes de Sá, 130, Mata da Praia

Contato: (27) 3327-6966 | (27) 99933-8172