Vanderlei Lopes expõe instalação inédita ‘Domo’ na Capela do Morumbi, no Museu da Cidade de São Paulo

A obra inédita ‘Domo’, do artista Vanderlei Lopes, está em exposição na Capela do Morumbi, construção tombada do século XVII no Museu da Cidade de São Paulo. A instalação fica no local para visitação até 15 abril de 2018.

O trabalho apresenta um domo e sua torre, com diâmetro de 4 metros por 9,5 metros de comprimento, pesando 5 toneladas. Tombado no chão em diagonal no interior da sala principal da capela, foi construído em barro, madeira e ferro. Na sala lateral, duas mesas apresentam anotações e reflexões em papéis diversos, fundidos em bronze e pintados com guache, grafite e lápis de cor. Trata-se de uma inversão em que “grande obra” surge de modo ambíguo, tombada como ruína, enquanto sobre as mesas, os esboços de caráter diverso são apresentados perpetuados em bronze.

Domo é uma estrutura de teto presente em diversas culturas. Esse elemento arquitetônico confere solenidade, poder e importância às construções que encima. Sua relação com as “esferas celestes” acrescenta dimensões sagradas a essas edificações. Para a construção de “Domo”, Vanderlei criou uma base de doze faces, número que remete ao ideal de perfeição e às diversas formas de estruturação, adotadas pela humanidade para organização do tempo como, por exemplo, as doze horas do relógio, do dia ou da noite, doze meses do ano, etc.

O “Domo” da Capela do Morumbi é uma escultura de fragmento arquitetônico ideal. Foi construído a partir de elementos baseados em tipologias gótico/renascentistas. A escolha dos materiais tem o intuito de produzir fricção entre o imaginário solene que o domo evoca, e um repertório arcaico, terreno, a que o barro remete.

Construído em escala monumental e tombado no chão como uma ruína, ele preenche o interior da capela. Sua tipologia renascentista alude a um período permeado por certo otimismo. A cultura se volta para a antiguidade afim de olhar um homem mais engenhoso e a ciência valorizada deixa para trás uma era dominada, sobretudo, pelo obscurantismo religioso.

Originária de um tempo mais recente, a Capela foi construída por Gregori Warchavchik, no final dos anos 1940, sobre ruínas em taipa de pilão, típico modo de construção colonial predominante entre os séculos XVI e XVIII. Como numa cronologia reversa, o trabalho de Vanderlei Lopes produz uma colisão espaço-temporal que, à medida que o visitante adentra a capela, promove um encontro com um passado precioso, ainda mais longínquo.

Sobre Vanderlei Lopes
Indicado três vezes ao PIPA, em 2012, 2014 e 2016, as obras de Vanderlei Lopes estão em coleções como da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Coleção Itaú, Gilberto Chateaubriand e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outras. Vanderlei realizou diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior como em Portugal, Argentina, Colômbia e Estados Unidos. Além de representado pela Matias Brotas Arte Contemporânea, o artista também faz parte da 3ª edição do Clube do Colecionador da galeria com uma versão de sua conhecida obra ‘Ralo’, também em bronze polido.