O artista Vanderlei Lopes reuniu obras recentes e inéditas para sua individual ‘Milagre’ em cartaz até 11 de fevereiro na Galeria Marilia Razuk, no Itaim Bibi, São Paulo. A mostra ocupa os dois espaços expositivos da galeria a partir de um corpo de trabalhos que toma o próprio ato de olhar como questão.

Constituídas por materiais como vídeo, madeira, fogo, ouro, bronze, pólvora e papel, conjuga diversos procedimentos e temporalidades que se articulam no sentido de refletir sobre a luz e o modo como a obra surge no espaço expositivo.

Um exemplo é o trabalho homônimo a exposição, a obra Milagre revela através do ponto de vista de uma lupa de aumento, o raio de sol que a atravessa e queima a imagem de um louva-a-deus, previamente projetada sobre um papel.

Já a obra Posse (Sapatos), constitui-se em um par de sapatos em bronze, pretos por fora e polidos por dentro. O polimento interno produz uma luminosidade alaranjada, espelhada, “empoçada” em seu interior. O trabalho se refere à imagem de um religioso no muro das lamentações, a indicar ali, a presença de um corpo que em seu movimento procura rearranjar sua fisicalidade diante da parede.

Outra obra é Cena que são as mãos do artista fundidas em bronze; uma segurando uma vela também em bronze, a outra, protegendo do vento uma chama real que tremula e produz luminosidade em seu entorno.